Microsoft oficializa saída da Rússia com falência da subsidiária

Na última semana de maio, surgiram dados oficiais no sistema Fedresurs — o registro corporativo do governo russo — indicando que a empresa Microsoft Rus LLC, principal entidade legal da Microsoft Corporation na Rússia, estava protocolando pedido de falência junto à Corte Arbitral de Moscou.

Conforme relatório da Reuters, apesar da Microsoft não ter se manifestado imediatamente, a ação ocorre em meio ao endurecimento regulatório do governo russo. O presidente Vladimir Putin, em coletiva recente, defendeu que provedores de tecnologia estrangeiros — citando especificamente a Microsoft e o Zoom — sejam “estrangulados” no território russo, a fim de abrir espaço para soluções nacionais.

Dados públicos do ano fiscal de 2021 a 2024 mostram a marcante retração do negócio local: a receita da Microsoft Rus despencou de cerca de 6,9 bilhões de rublos (equivalente a cerca de US $89 milhões) em 2021 para apenas 161,6 milhões de rublos (cerca de US $2 milhões) em 2024, com lucro líquido de 174,1 milhões de rublos (US $2,2 milhões) — resultado possível apenas por ajustes contábeis, já que quase todas as operações comerciais foram encerradas.

O principal credor é o Gazprombank, que processou a Microsoft por não cumprir obrigações contratuais de suporte técnico referentes ao período de setembro de 2021 a setembro de 2022, resultando em uma condenação judicial de 90,9 milhões de rublos (aproximadamente US $1,14 milhão), acrescidos de juros. O saldo dessa dívida, incluindo adicionais de até US $949 mil, foi o que motivou a ação de falência, registrada em janeiro de 2025.

Desde março de 2022, a Microsoft já havia interrompido novas vendas de produtos e serviços na Rússia, em obediência às sanções internacionais, mas manteve os negócios existentes até que, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, fechou 13 filiais em cidades como Moscou, São Petersburgo, Iekaterinburgo e Vladivostok.

Trata-se de uma tendência contínua: em 2023, a subsidiária da Google na Rússia já havia declarado falência, após autoridades confiscarem ativos e contas bancárias, inviabilizando suas operações .

Desde 2022, o governo russo vem buscando a substituição de plataformas estrangeiras por alternativas locais ― um movimento que inclui cloud, produtividade (Office 365, Power BI) e videoconferência — amparado por medidas como bloqueio em lojas de aplicativos e restrição ao uso de serviços como Outlook, Teams e Skype. As palavras de Putin que instruem empresas russas a abandonar plataformas estrangeiras refletem essa política .

A falência da Microsoft Rus sanciona oficialmente a saída da gigante americana, embora restem três outras entidades russas no radar: Microsoft Development Centre Rus, Microsoft Mobile Rus e Microsoft Payments Rus — todas sob avaliação para possíveis desdobramentos semelhantes.

A falência da Microsoft Rus LLC é um símbolo do recrudescimento das tensões em torno da soberania tecnológica da Rússia. A combinação entre sanções ocidentais, infraestrutura digital local e pressões jurídicas criaram um cenário implacável para operações estrangeiras. O movimento da Microsoft segue o roteiro já visto com o Google, representando o fim prático das operações da Microsoft no mercado russo — embora a empresa ainda mantenha entidades jurídicas mínimas.