A Federal Communications Commission (FCC) dos Estados Unidos acaba de anunciar um importante pacote regulatório que visa proibir o uso de tecnologias e equipamentos de empresas chinesas em cabos submarinos de telecomunicações que se conectem ao território norte‑americano. A justificativa oficial, redigida pelo presidente da FCC, Brendan Carr, é a necessidade de proteger “contra ameaças cibernéticas e físicas” de adversários estrangeiros, com foco principal na China.
Os cabos submarinos são a espinha dorsal da internet global — conduzem 99 % do tráfego internacional de dados, transportando notícias, transações financeiras e comunicações corporativas . A regulamentação proposta, que deve ser votada até 7 de agosto de 2025, proíbe que projetos futuros utilizem equipamentos de empresas chinesas listadas como risco à segurança nacional, como Huawei, ZTE, China Telecom e China Mobile. Essas empresas ficarão impedidas de obter licenças da FCC ou de alugar capacidade em cabos submarinos que desembarquem nos EUA.
A medida é parte de um esforço contínuo do governo americano para reduzir a dependência de fornecedores considerados potencialmente alinhados ao Estado chinês — uma estratégia às vezes chamada de “digital decoupling”. O movimento segue precedentes estabelecidos desde 2020, quando reguladores americanos influenciaram o cancelamento de pelo menos quatro projetos de cabos que incluíam conexões à Hong Kong.
A urgência para essa ação aumentou após incidentes recentes envolvendo possíveis sabotagens e ataques cibernéticos. Registros de cortes deliberados em cabos — como no Mar Báltico e tentativas atribuídas a atores ligados à China ou ao movimento Houthi — reforçaram preocupações sobre vulnerabilidades na infraestrutura submarina. Além disso, cita-se um grande ataque cibernético codinome “Salt Typhoon” contra redes norte-americanas, conforme reportado pelo Financial Times e outras fontes.
O texto da futura resolução inclui também incentivos para agilizar licenças de empresas norte-americanas, como Google, Meta, Microsoft e Amazon, desde que estas adotem garantias de segurança reforçadas. Será criada uma unidade específica dentro da FCC, dedicada à análise de riscos em infraestruturas sensíveis e ao monitoramento contínuo desses projetos.
Especialistas em segurança cibernética saudaram a proposta como um passo necessário para proteger a soberania digital dos EUA, embora critiquem que a medida atue apenas sobre projetos gastos, sem contemplar cabos já existentes. Já os críticos alertam que a fragmentação da internet global pode ganhar impulso caso outros países adotem posturas semelhantes, potencialmente dividindo a rede entre áreas de influência americana e chinesa.
Essa iniciativa também está em sintonia com o Secure Equipment Act de 2021, que já proíbe o uso de equipamentos da Huawei, ZTE e outras empresas chinesas em redes 5G terrestres sem autorização da FCC. Agora, o foco se expande para o ambiente subaquático — onde passam dados críticos e estratégicos.

