A maior coleção de tijolos do mundo está no Guinness

Em fevereiro de 2025, o americano Clem Reinkemeyer, de 87 anos, residente em Tulsa, Oklahoma, foi oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records por possuir a maior coleção privada de tijolos históricos do mundo. Com 8.882 peças únicas, acumuladas ao longo de mais de quatro décadas, seu acervo foi auditado e reconhecido em 29 de abril de 2023, conforme noticiado pela própria organização Guinness.

Clem, que coleciona tijolos desde meados dos anos 1980, armazenou sua coleção em um celeiro especialmente adaptado para esse propósito. Segundo relatos, sua coleção inclui peças datadas desde o ano 100 d.C., como tijolos romanos com mais de mil anos, até exemplares industriais produzidos entre 1870 e 1910. Muitos deles apresentam inscrições peculiares — ele destaca tijolos com erros de grafia, como um “Tulsa” com “S” invertido, que se tornaram itens valorizados por sua singularidade.

A certificação foi organizada pela filha de Clem, Celia, e o genro, Dan Bisett, que, sem o conhecimento dele, reuniram amigos e voluntários para contar e catalogar cada peça. Quando Clem retornou a Tulsa, foi surpreendido com uma cerimônia informal onde lhe entregaram o certificado do Guinness World Records. “Foi uma grande surpresa, e estou muito feliz por ter esse certificado”, disse ele emocionado.

Clem Reinkemeyer

A importância do acervo de Clem vai além da quantidade: muitos tijolos carregam consigo a história de locais específicos, como calçadas e edificações antigas dos Estados Unidos. Um tijolo, por exemplo, teria sido produzido em uma fábrica que ficava onde hoje é o Pentágono em Washington, D.C. Para Clem, cada peça representa uma consequência material da história local e nacional — “eles têm nomes e você pode rastreá-los historicamente”, disse.

A cobertura da imprensa especializada, como a UPI, destacou o caráter emocionante da conquista. O público se encantou principalmente com o perfil de aposentado colecionador que transformou uma paixão incomum em recorde mundial, preservação cultural e senso de legado familiar .

Esse recorde ocorre em paralelo a outros feitos documentados pelo Guinness, como a maior coleção de minifiguras LEGO (11.803 unidades em mãos de Steven van Dyk, na Bélgica, certificado em abril de 2025), e a maior coleção de sets completos de LEGO (6.005 sets de Miloš Křeček, na República Tcheca, verificado em julho de 2023). Embora essas coleções associe‑se à cultura LEGO, a coleção de Clem é singular por se tratar exclusivamente de tijolos de construção, não blocos de brinquedo.

O reconhecimento também trouxe à tona reflexões sobre o valor documental e arquitetônico desses objetos. Enquanto museus como o Bursledon Brickworks Museum, no Reino Unido, preservam a história da indústria cerâmica e modelos de produção de tijolos, a coleção privada de Clem destaca os tijolos individuais como portadores de memórias e artefatos históricos únicos.

Mais do que um acervo, a coleção de Clem Reinkemeyer representa um patrimônio tangível da história da construção americana e mundial. Os tijolos — alguns com datas ou nomes gravados — traçam um panorama da evolução tecnológica e cultural dos materiais usados em edificações. Sua iniciativa mostra também o poder de um interesse persistente: de uma paixão solitária a um título global reconhecido.

Com simplicidade e autenticidade, Clem passou de colecionador silencioso a detentor de um recorde formal, eternizando uma coleção que traduz em cerâmica a própria história da humanidade. Uma história que começa na Roma antiga e atravessa o tempo até um celeiro em Tulsa, hoje famoso no mundo inteiro.