Desde o início de 2025, proliferam em diferentes regiões do mundo — inclusive em São Paulo — operações criminosas que utilizam estação rádio‑base falsas, também chamadas de “SMS blasters” ou “false base stations”, para enviar em massa mensagens fraudulentas diretamente aos celulares, burlando filtros de operadoras tradicionais. Oficialmente registrado pela Anatel em janeiro, o esquema foi objeto de investigações pela Polícia Civil e agência reguladora — culminando na apreensão de equipamentos subterrâneos capazes de disparar dezena de milhares de SMS em pequenos perímetros urbanos. Esses dispositivos simulam como se fossem torres legítimas das operadoras Claro, TIM ou Vivo, e quando um celular se conecta, recebe automaticamente o golpe via mensagem, sem necessidade de o invasor saber o número do telefone da vítima.
No exterior, casos semelhantes vieram à tona no Reino Unido, com prisões em 2024 de indivíduos que construíram antenas caseiras e emitiram milhares de mensagens de claro teor fraudulento, fingindo ser bancos ou órgãos públicos, obtendo respostas como dados pessoais ou informações financeiras. Em Bangkok, policiais localizaram vans equipadas com poderosos transmissores falsos que dispararam mais de 1 milhão de SMS em poucos dias, persuadindo vítimas a clicar em links maliciosos e compartilhar dados bancários – resultando em prejuízos bilionários para os golpistas.
Como o golpe funciona
- Equipe criminosa monta uma estação falsa — portátil, pode ser transportada em carros, vans ou operada a partir de um endereço fixo (como um apartamento) — que emite sinais 2G/3G simulando uma torre legítima.
- O celular mais próximo se conecta automaticamente, usando o padrão GSM, que até hoje não exige autenticação da torre.
- Os criminosos enviam mensagens de phishing (smishing) aos dispositivos conectados, sem passar pelos bloqueios das operadoras, utilizando links ou solicitações que levam a sites fraudulentos.
- A vítima, enganada pelo remetente legítimo (bancos, operadoras), clica no link e fornece dados pessoais ou financeiros — e os golpistas usam isso para fraudes ou roubo.
Essa modalidade de golpe é particularmente eficaz porque burlar os filtros tradicionais torna o SMS quase inevitável. A ausência de criptografia nas redes 2G facilita a interceptação, e o usuário típico não identificaria a anomalia — muitas vezes, o aparelho nem reporta que trocou de torre.
Impacto e ações no Brasil
Em São Paulo, Anatel somou pelo menos três operações em seis meses, apreendendo antenas clandestinas que disparavam dezenas de milhares de SMS fraudulentos por dia em regiões como a Marginal Pinheiros. A Polícia Civil e a Anatel usaram drive-tests e drones para localizar o sinal falso — identificando a origem e agindo com mandados judiciais em janeiro de 2025.
Apesar de ainda não haver dados públicos sobre vítimas diretas, o golpe ameaça principalmente usuários das grandes cidades: quem passa por regiões com antenas clandestinas está automaticamente exposto. Bancos, operadoras, órgãos governamentais e consumidores — especialmente os mais vulneráveis — estão no foco dos criminosos, que buscam dados de login bancário, número de cartão e informações pessoais essenciais para aplicar fraudes financeiras.
Medidas de prevenção
Agências internacionais orientam para:
- Desativar redes 2G nos smartphones — Android e iPhone já contam com configurações que evitam downgrades automáticos.
- Nunca clicar em links ou responder SMS suspeitos — verificar por telefone oficial da instituição.
- Denunciar mensagens fraudulentas ao número 7726 (US e Reino Unido); no Brasil, registrar queixa na Anatel ou delegacias especializadas.
- Atualizar o sistema operacional do celular e usar soluções de segurança que alertem sobre torres falsas.
Por que esse modelo cresceu?
A exploração de vulnerabilidades do padrão GSM, amplamente utilizado no 2G, permitiu que criminosos acessassem uma fração do arsenal das operadoras oficiais, sem infraestrutura legítima. Além disso, o custo do equipamento (rádio SDR e transmissores) diminuiu, e o anonimato ao operar em áreas urbanas facilita a disseminação rápida do esquema, sem exigir alta sofisticação técnica.
O golpe via antenas falsas e SMS é real, documentado e em constante operação desde 2024-2025, com casos confirmados no Brasil e diversos países. A partir de janeiro de 2025 houve apreensões no estado de São Paulo, resultando em investigações e confisco de equipamentos. Trata-se de crime sofisticado que atinge direta e silenciosamente usuários locais, bancários, consumidores finais e, potencialmente, até instituições. A única defesa eficaz é a conscientização digital aliada a medidas técnicas preventivas — especialmente desativar 2G, evitar links e denunciar atividade suspeita.

