A startup australiana Andromeda Robotics, com sede em Melbourne e um pequeno escritório em Boston, desenvolveu um robô humanoide chamado Abi que tem sido oficialmente documentado e amplamente divulgado pela imprensa especializada. Fundada por Grace Brown, engenheira mecatrônica formada pela Universidade de Melbourne, a empresa recebeu investimentos significativos ao longo de 2023 e 2024, incluindo uma rodada de pré‑seed conduzida por Galileo Ventures e uma captação de cerca de um milhão de dólares em funding em novembro de 2023.

Abi mede aproximadamente 120 cm de altura e foi criada com o propósito de combater a solidão e o isolamento social, principalmente entre idosos em instituições de cuidado e também crianças hospitalizadas. O robô utiliza inteligência artificial baseada no modelo GPT‑4, aliado a visão computacional, para reconhecer rostos, lembrar de interações anteriores, adaptar conversas e expressar emoções por meio de voz, gestos e até brincadeiras como soprar bolhas e dançar. Abi fala até 90 idiomas, o que permite comunicar-se com pessoas de diversas origens culturais nas residências de acolhimento.
Desde fevereiro de 2024 Abi participa do programa Early Adopters da provedora MACG (Medical & Aged Care Group), atuando em casas de repouso como Northern Gardens e Grand Cedar, em Victoria. Seu carisma e capacidade de se envolver em atividades lúdicas como Tai Chi, quizzes e dança conquistaram os residentes. Em dezembro de 2024, iniciou-se parceria com o grupo Benetas, e Abi retorna para sessões semanais em instituições como Colton Close, onde 89% dos residentes consideraram positivas as interações com o robô e 87% se sentiram confortáveis.
As oportunidades de expansão são concretas: Abi já está presente em pelo menos 22 casas de repouso na Austrália, com planos de expandir para hospitais pediátricos, hospitais em Sydney e Melbourne, e iniciar presença nos Estados Unidos com nova base em San Francisco ainda em 2025. Segundo reportagem do jornal SmartCompany, os custos de produção de cada robô giram em torno de 10 000 dólares em componentes de hardware, permitindo montagem rápida em apenas um dia após recebimento das peças.

Em conferência realizada no Humanoids Summit em Londres, em junho de 2025, a cofundadora Erika Choong explicou que Abi não foi desenvolvida para produtividade industrial, mas sim para promover empatia emocional com pessoas em estado de isolamento. Ela ressaltou que cerca de 40% dos idosos em lares de cuidado na Austrália chegam a passar dias sem visitas e que Abi pode preencher esse vazio, sem substituir os cuidadores humanos. A startup enfatiza que o objetivo não é substituir funcionários, mas complementar o trabalho humano, maior vínculo social e bem‑estar emocional para os residentes.
A trajetória de Abi começou durante a pandemia de COVID, quando Grace Brown idealizou um robô capaz de oferecer companhia em tempos de isolamento coletivo. A inspiração veio de personagens como Baymax, de Big Hero 6. Com apoio de prêmios como o Vogue Australia Future Innovators Award, o projeto evoluiu de uma simulação de laboratório universitário para o protótipo funcional.
Com a adoção em organizações como Allity, MACG e Benetas, e participação em conferências internacionais, Abi consolida-se como um dos primeiros robôs humanoides projetados e implementados com foco na interação social e emocional no setor de cuidados. A Andromeda Robotics agora mira a produção comercial e a disseminação do robô companion em contextos globais, especialmente nos Estados Unidos e Europa .
O desenvolvimento de Abi destaca uma importante tendência tecnológica: robôs humanoides voltados para apoio emocional e social em lugares onde a solidão e a escassez de cuidadores são desafios significativos. Em vez de máquinas utilitárias, Abi representa a busca por robôs que acolhem, interagem com naturalidade e contribuem para uma vida mais plena e cuidada, principalmente para idosos vulneráveis.

