Starlink fica fora do ar e prejudica usuários no mundo todo

Na quinta‑feira, 24 de julho de 2025, o serviço de internet via satélite Starlink, operado pela SpaceX de Elon Musk, sofreu uma queda global significativa. Segundo plataformas como Downdetector, o número de relatos de usuários chegou a 61 000 simultâneos no pico da interrupção. Testemunhas registraram falhas nos Estados Unidos, Europa, Ásia, Austrália, África e também no Brasil. No Brasil, internautas informaram que o sinal caiu por volta das 17h (horário de Brasília), e alguns pontos ainda permaneciam sem conexão mesmo após restauração parcial.

A queda teve início por volta das 15h (horário de Brasília) — cerca de 3:13 p.m. EDT (1900 GMT) — e se estendeu por aproximadamente 2 horas e 30 minutos, até o serviço começar a ser normalizado por volta das 17h30 ET ou 19h30 GMT. A origem da falha foi atribuída a um problema interno nos serviços de software que gerenciam a rede central da Starlink, de acordo com Michael Nicolls, vice‑presidente de engenharia da empresa.

Elon Musk usou sua conta na rede X (ex‑Twitter) para se desculpar pelo transtorno. Ele afirmou que a SpaceX “irá corrigir a causa raiz para garantir que isso não volte a acontecer”. Nicolls também emitiu nota pública no X com palavras semelhantes e reforçou o comprometimento da equipe em identificar e resolver o problema definitivamente.

Especialistas como Doug Madory, da Kentik, destacaram que uma interrupção global dessa magnitude é extremamente rara para a rede Starlink, e caracterizaram o problema como uma “interrupção total” altamente incomum para um sistema dessa escala. Gregory Falco, da Universidade de Cornell, sugeriu que o incidente possa ter sido causado por uma atualização de software mal sucedida, ou até por um esforço de cyberataque — ainda que a empresa não tenha confirmado oficialmente essas hipóteses.

A interrupção ocorreu um dia após o lançamento do serviço T‑Satellite, em parceria com a T‑Mobile, que visa permitir comunicação direta por satélite com celulares em áreas remotas por cerca de US $ 10 por mês. Embora ainda não haja evidência de que o novo serviço tenha sido afetado, o evento levantou questionamentos sobre a robustez da rede à medida que novas funcionalidades são integradas.

O impacto foi além de clientes residenciais: usuários no setor industrial, rural, marítimo e até operações militares, como no caso das forças ucranianas—que utilizam a Starlink para comunicações críticas no front—relataram interrupções que prejudicaram coordenação e serviços essenciais.

Apesar de representar uma falha grave, o episódio não afetou diretamente outros serviços da SpaceX, como o Starshield, voltado ao uso militar e de defesa, embora isso ainda siga sob investigação.

Atualmente, a Starlink atende mais de seis milhões de usuários em cerca de 140 países e territórios, com uma constelação de mais de 8 000 satélites em órbita baixa, e tem expandido seus serviços com aprimoramentos de capacidade, velocidade e integrações com operadoras móveis.

A companhia promete agora implementar auditoria técnica para evitar que o problema se repita. A diretriz oficial da SpaceX é investigar detalhadamente a falha e reforçar os mecanismos internos de segurança de software. A restauração total ocorreu até o final da noite de 24 de julho, e os clientes que relataram problemas residuais foram instruídos a reiniciar seus terminais ou aguardar uma atualização de software automática.