A notícia de que um inventor chinês estaria injetando água sanitária diretamente em tumores cancerígenos surgiu com grande repercussão recente mas carece de respaldo científico ou aprovação médica reconhecida. No dia 24 de julho de 2025 a revista Wired publicou um artigo detalhando o caso de Xuewu Liu, descrito como um “inventor chinês sem qualquer credencial médica formal”, que oferece o tratamento contendo dióxido de cloro altamente concentrado – substância semelhante a água sanitária – diretamente em tumores cancerígenos. Liu cobra cerca de 20 000 dólares por paciente alegando que o procedimento seria capaz de erradicar tumores. Contudo não há nenhum estudo revisado por pares que comprove sua eficácia ou segurança. Vários pacientes relataram efeitos adversos graves como crescimento acelerado do tumor, metástases na pele, dificuldade para urinar, inchaço e dor intensa durante e após a aplicação.
Profissionais da medicina e especialistas consultados por Wired afirmam que esse tipo de tratamento não tem base em protocolos clínicos estabelecidos e provavelmente viola normas regulatórias tanto na China quanto nos Estados Unidos. O químico tóxico injetado pode danificar vasos sanguíneos e tecidos saudáveis e agravar a condição do paciente. Um dos relatos coletados aponta que a paciente assume que o tumor se espalhou porque o composto químico rompeu a veia, liberando células cancerígenas para a pele.
Ainda segundo o artigo, Liu afirma que o método está disponível informalmente em clínicas na China e em uma clínica na fronteira entre Alemanha e Suíça conhecida como CMC Rheinfelden, embora o procedimento não seja anunciado oficialmente pelo estabelecimento. Um representante teria esclarecido que o tratamento não é legal e que precisa ser oferecido sob condições éticas estritas com consentimento informado, mas que está sendo disponibilizado clandestinamente a pacientes que se encontram em situação terminal sem outras opções. A clínica alemã supostamente evita mencionar o nome da substância em notas fiscais para evitar implicações legais.
Liu afirma também que pretende expandir o tratamento para os Estados Unidos em colaboração com um ex executivo da indústria farmacêutica, citando mudanças regulatórias recentes e a nomeação de Robert F. Kennedy Jr. como secretário de saúde dos EUA, como uma possível porta de entrada para aprovar o método para pesquisa clínica nos próximos anos. Ele declara que mais de cem pacientes americanos demonstraram interesse e que planeja iniciar ensaios clínicos em 2026. Entretanto até o momento nenhuma instituição de pesquisa ou hospital norte-americano reconhece ou sustenta esses planos.
A comunidade científica alerta que a aplicação direta de agentes cáusticos como dióxido de cloro não tem nenhuma comprovação de seletividade para células cancerígenas e coloca em risco a vida do paciente. Ao contrário de tratamentos como quimioterapia, imunoterapia ou terapias baseadas em isótopos radioativos como os microesferas de ítrio‑90 produzidos na China, que têm aprovação regulatória e evidência de eficácia, a injeção de água sanitária em tumores constitui um procedimento sem monitoramento, sem ensaio clínico e sem respaldo ético ou científico reconhecido.
Em resumo não há evidência científica confiável de que essa abordagem funcione em humanos e os relatos indicam que pode haver agravamento do quadro clínico. Nenhuma agência reguladora de saúde endossa esse tratamento. Qualquer iniciativa nesse sentido contraria diretrizes éticas e legais em todas as principais jurisdições médicas.

