Pesquisadores do National Institute of Information and Communications Technology (NICT), no Japão, anunciaram a conquista de um marco inédito: a transmissão de dados a incríveis 1,02 petabits por segundo (ou seja, 1 020 000 000 megabits por segundo) ao longo de cerca de 1 802 km (~1 120 milhas) utilizando cabos de fibra óptica compatíveis com os usados atualmente em internet comercial. Esse desempenho torna-se aproximadamente quatro milhões de vezes mais rápido que a velocidade média de banda larga nos Estados Unidos e cerca de 3,5 milhões de vezes mais ágil que aquela estimada nos EUA.
O experimento foi apresentado durante a 48ª Optical Fiber Communication Conference, realizada em San Francisco no início de julho de 2025. A tecnologia empregada utilizou um cabo de fibra óptica com 19 núcleos integrados dentro da mesma bainha, mantendo a espessura padrão de aproximadamente 0,125 mm, o que facilita a adoção em infraestrutura já existente. Para permitir a transmissão por longa distância, o sinal foi repetido 21 vezes num sistema de loop recirculante por 86,1 km, totalizando efetivamente os 1 802 km de percurso.
A inovação também envolveu sistemas avançados de amplificação óptica e processamento digital de sinais (MIMO) capazes de minimizar interferências entre os núcleos e preservar a qualidade dos dados durante o trajeto. A capacidade‑distância alcançada chegou ao recorde de 1,86 exabits por segundo‑quilômetro, o maior já registrado até hoje para fibras com diâmetro de bainha padrão.
Esse avanço representa um salto substancial em relação ao recorde anterior de 402 terabits por segundo (equivalente a 402 000 000 Mbps), obtido em 2024 por cientistas japoneses usando fibra óptica comercial standard e amplificadores especializados cobrindo diversas bandas de comprimento de onda. Na ocasião, aquele recorde já era cerca de 1,6 milhão de vezes mais veloz que a conexão doméstica média nos EUA.
A equipe do NICT — em colaboração com empresas como Sumitomo Electric Industries e parceiros internacionais — destacou que a tecnologia demonstra a viabilidade de expandir a infraestrutura de comunicação global para atender à explosão do tráfego de dados demandado por inteligência artificial, Internet das Coisas, redes 6G e centros de dados distribuídos. Embora ainda em fase experimental, os resultados sugerem que sistemas nacionais e cabos submarinos do futuro poderão evoluir sem necessidade de substituição completa da planta instalada.
Apesar de não se tratar de uma velocidade disponível para provedores residenciais no momento a velocidade alcançada abre caminho para redes ultrarrápidas com baixíssima latência e elevada confiabilidade. A aplicação prática ainda exige desenvolvimento adicional, testes em campo e soluções de custo‑benefício para integrá‑las a redes reais. A pesquisa, no entanto, reforça a posição do Japão como líder global em pesquisa aplicada à infraestrutura de próxima geração.



