A Federação Inglesa de Futebol (FA) arquivou oficialmente o processo que investigava o meia brasileiro Lucas Paquetá por suposta manipulação de resultados relacionados a apostas esportivas. Após mais de um ano de investigações, o jogador foi inocentado das acusações que colocaram sua carreira em xeque e impediram sua convocação para a Seleção Brasileira em diversas oportunidades. A decisão representa um alívio para o atleta, que atua no West Ham United e vinha sendo mantido sob observação desde agosto de 2023, quando o caso veio à tona.
A investigação foi aberta após registros de apostas suspeitas em partidas específicas da Premier League, nas quais Paquetá teria forçado cartões amarelos intencionalmente. Essas apostas teriam sido feitas por pessoas ligadas a sua cidade natal, na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, o que levantou suspeitas de um possível esquema de manipulação. A FA, em cooperação com a empresa de integridade esportiva SportRadar e com apoio de entidades reguladoras britânicas de apostas, como a Gambling Commission, analisou minuciosamente os dados dos jogos, vídeos, interações em redes sociais e históricos de apostas.

Em comunicado divulgado nesta semana, a FA afirmou que, após reunir todas as evidências possíveis, não encontrou elementos suficientes que comprovassem má conduta intencional por parte do jogador. Segundo o órgão, os padrões de comportamento em campo estavam dentro dos limites esperados e não se observou qualquer ação que indicasse manipulação deliberada para beneficiar apostadores. Dessa forma, a entidade encerrou o caso sem apresentar acusações formais.
A inocência de Paquetá não apenas limpa sua imagem no cenário internacional como reacende suas chances de voltar a vestir a camisa da Seleção Brasileira, principalmente em um momento em que o time se prepara para as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Vale lembrar que, por conta da investigação, o meia foi retirado da convocação de agosto de 2023 por ordem da própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que adotou uma postura cautelosa à época.
O jogador, que sempre se declarou inocente e colaborou com todas as etapas do processo, usou as redes sociais para agradecer o apoio da família, dos torcedores e do clube londrino, que manteve sua confiança em seu desempenho e caráter durante todo o período da investigação. “Passei meses difíceis, mas sempre acreditei que a verdade viria à tona”, disse o atleta em nota oficial publicada no Instagram.

A repercussão da decisão tem sido amplamente positiva entre comentaristas esportivos, companheiros de time e dirigentes brasileiros. No West Ham, Paquetá continua sendo peça central no meio-campo e sua performance nesta temporada tem sido elogiada. Com a absolvição, cresce também o interesse de grandes clubes europeus, como o Manchester City, que chegou a interromper negociações no passado justamente devido à incerteza jurídica que pairava sobre o jogador.
Especialistas em direito esportivo consideram o caso emblemático por mostrar como o futebol moderno está mais atento às influências externas, especialmente as ligadas ao mercado de apostas online. Embora a legalização das apostas esportivas na Europa tenha trazido novas fontes de receita para o setor, também impôs desafios às entidades reguladoras para monitorar desvios de conduta e garantir a integridade das competições.
A absolvição de Lucas Paquetá serve como um alerta e ao mesmo tempo como um exemplo. Alerta para os riscos de julgamentos precipitados baseados em movimentações suspeitas sem provas concretas. E exemplo de como a cooperação entre órgãos reguladores, clubes e atletas pode levar a um desfecho justo e transparente, mesmo diante de acusações graves.

