A empresa australiana Gilmour Space Technologies alcançou um marco histórico ao lançar o primeiro foguete integralmente fabricado na Austrália rumo ao espaço. No dia 30 de julho de 2025 o veículo orbital Eris, desenvolvido pela companhia com sede na Gold Coast, decolou do Bowen Orbital Spaceport em Queensland, levando consigo sensores e um simbólico frasco de Vegemite em sua ponta. O foguete medindo cerca de 23 metros e pesando 30 toneladas foi projetado para inserir satélites de pequeno porte em órbita terrestre baixa.
Apesar da expectativa, o voo durou apenas 14 segundos após a decolagem, com os motores sendo ativados por cerca de 23 segundos antes que a ascensão estagnasse e o veículo retornasse ao solo envolto em fumaça. Não houve feridos nem danos à infraestrutura do local de lançamento. A Gilmour Space classificou esse momento como um marco significativo e expressou satisfação com o fato de o foguete ter saído da plataforma. O CEO e cofundador Adam Gilmour ressaltou que alcançar essa altitude em voo inaugural já representa um avanço, especialmente considerando os muitos anos de desenvolvimento e os quase dois anos de espera por aprovações regulatórias. A companhia já anuncia preparativos para uma nova tentativa de voo dentro de seis a sete meses.
O evento inaugurou a primeira tentativa de lançamento orbital da Austrália em mais de cinco décadas. As únicas missões bem‑sucedidas realizadas anteriormente aconteceram no início dos anos 1970, por meio do foguete britânico Black Arrow a partir do território australiano. Em 2025 o governo federal australiano concedeu à Gilmour Space um financiamento de AU $ 5 milhões, além de um contrato anterior de AU $ 52 milhões firmado em 2023, para impulsionar o desenvolvimento de suas tecnologias espaciais comerciais.
Especialistas e autoridades locais celebraram o feito. Representantes do Conselho Regional de Whitsunday consideraram o lançamento um passo decisivo para estabelecer uma indústria espacial comercial no país. Observadores do setor, incluindo acadêmicos, destacaram que falhas técnicas nos primeiros voos são comuns e fazem parte do processo evolutivo de programas espaciais. A visualização do foguete levantando voo atraiu comunidade local e entusiastas convidados a testemunharem o lançamento de Bowen.
A Eris é movida por motores híbridos chamados Sirius no primeiro estágio, seguidos de um estágio intermediário também equipado com Sirius e um terceiro estágio que utiliza o motor líquido Phoenix projetado internamente. A estrutura do veículo possui dois diâmetros de cone de carga possíveis e foi submetida a rigorosos testes de preparação em 2024, incluindo dress rehearsals e aprovação da Australian Space Agency e da Civil Aviation Safety Authority antes do lançamento ser autorizado em fevereiro de 2025.
Apesar do resultado final ter sido um retorno ao solo em poucos segundos a empresa e stakeholders veem o teste como um sucesso positivo por demonstrar que sistemas cruciais funcionaram corretamente. A Gilmour Space já planeja realizar até quatro lançamentos por ano nos próximos ciclos e estabelecer capacidades de lançamento comercial regulares, com o objetivo de posicionar a Austrália entre os poucos países com autonomia na colocação de satélites em órbita.
A iniciativa representa um passo fundamental no desenvolvimento da soberania espacial australiana ao aproveitar capital privado, suporte governamental e expertise nacional para criar tecnologia de ponta. O teste do Eris apesar de breve sinaliza maturidade crescente e abre caminho para futuras missões com maior duração e carga útil real rumo à órbita terrestre. Se continuar na mesma trajetória, a Austrália poderá lançar pequenos satélites regularmente, contribuindo para comunicações, monitoramento ambiental e avanços científicos com capacidade própria.

