A Amazon por meio de seu Alexa Fund investiu na startup americana Fable e apoia o lançamento de Showrunner uma plataforma de entretenimento que vem sendo chamada de “Netflix da IA”. A proposta central é transformar espectadores em criadores ao permitir que usuários produzam episódios de animações usando apenas comandos de texto ou até mesmo fotos. O investimento da Amazon serve para apoiar a expansão da tecnologia proprietária e o lançamento público da plataforma observado nesta semana e retrata uma nova fase de convergência entre inteligência artificial e entretenimento.
Criado pela Fable e liderado pelo CEO Edward Saatchi, ex‑cofundador da Oculus Story Studios a nova plataforma Showrunner permite gerar cenas completas de séries animadas com roteiro vozes cenários e edição automatizada. Os usuários podem criar episódios originais ou remixar mundos narrativos já existentes e até inserir a si mesmos como personagens na história ao enviar uma selfie.

A fase alfa fechada da plataforma envolveu cerca de 10 000 usuários e a lista de espera pública já ultrapassa 100 000 pessoas. O acesso atual é gratuito e em breve será implementado um modelo de assinatura baseado em créditos permitido a quem paga gerar centenas de cenas por mês com valores previstos entre 10 e 40 dólares mensais enquanto a visualização e compartilhamento dos conteúdos devem continuar gratuitos.
A empresa posiciona a plataforma como um novo patamar de entretenimento interativo afirmando que serviços de streaming tradicionais estão prestes a se tornar experiências bidirecionais. Segundo Saatchi os espectadores que amam uma série poderão criar novos episódios com algumas palavras e se transformar em personagens com uma foto.
Dois programas originais já acompanham o lançamento: “Exit Valley”, uma comédia satírica ao estilo de Family Guy ambientada em uma versão fictícia de Silicon Valley que faz piadas com sombrias figuras do meio tecnológico como Elon Musk e Sam Altman; e “Everything Is Fine” uma comédia romântica com elementos de ficção científica sobre um casal transportado para outro mundo após uma discussão no IKEA.
A Fable usa seu modelo de IA proprietário chamado SHOW‑2 sucessor de SHOW‑1. A versão anterior gerou episódios de South Park que alcançaram mais de 80 milhões de visualizações apesar de não terem sido comerciais oficiais. Essa experiência viral reforça a capacidade técnica da empresa e permitiu demonstrar viabilidade antes do lançamento público.
Fable já está em conversações com estúdios de Hollywood incluindo Disney com o objetivo de licenciar propriedades intelectuais para que os usuários possam criar conteúdo baseado em marcas como Star Wars com divisão de receita com os estúdios. A empresa afirma que um modelo de compartilhamento de receita de até 40% será oferecido quando o conteúdo original de um usuário for expandido por outros criadores.
Embora a iniciativa seja vista como disruptiva por alguns críticos e produtores criativos preocupados com empregos e ética a Fable afirma que sua intenção não é substituir roteiristas ou atores e sim abrir uma nova categoria de mídia interativa. Edward Saatchi enfatiza que pretende criar um meio artístico inovador e não apenas reduzir custos de produção.
O lançamento de Showrunner representa o nascimento de plataformas de narrativa colaborativa onde fãs podem se tornar coautores atuando num mundo audiovisual impulsionado pela inteligência artificial. O apoio do Fundo Alexa reforça a confiança da Amazon nessa visão. O modelo gratuito inicial acompanhado de roadmap para monetização e acordos com grandes IPs mostra que Fable aposta em um ecossistema sustentável tanto para criadores independentes quanto para grandes estúdios tradicionais.

