Sódio substitui lítio em baterias: empresas já investem pesado

A adoção de baterias de sódio como alternativa ao lítio vem ganhando força entre empresas e governos ao redor do mundo, impulsionada pela abundância do sódio, seus custos mais baixos e vantagens em segurança e sustentabilidade.

Nos Estados Unidos a startup Natron Energy desponta como pioneira na produção comercial dessas baterias. Fundada em 2012 como spin-off de Stanford, a empresa inaugurou sua fábrica em Holland, Michigan, em maio de 2024, tornando-se a primeira nos EUA a fabricar baterias de íon-sódio em escala comercial. Essa tecnologia emprega eletrodos à base de azul da Prússia, é segura, resistente e permite recarga rápida, com milhares de ciclos de descarga profunda. Além disso, Natron anunciou um ambicioso projeto para construir uma gigafábrica em Edgecombe County, Carolina do Norte, com investimento de US$ 1,4 bilhão e capacidade prevista de 24 GWh/ano até 2028. O apoio vem de incentivos do Inflation Reduction Act e do governo estadual, estimando gerar mil empregos e injetar bilhões na economia local.

Na China gigantes como a CATL lideram em desenvolvimento. Desde 2021 a empresa apresentou protótipos de baterias de sódio e lançou uma versão híbrida Freevoy combinando células de sódio e lítio, proporcionando recarga ultrarrápida e desempenho mesmo em temperaturas extremas, com expectativa de alcançar produção em massa até 2025 e sofrendo expansão até 2027. O domínio chinês se estende também a outras empresas como HiNa, BYD e Farasis, que exploram baterias de sódio em veículos e armazenamento.

Na Europa e na Índia a corrida segue intensa. A sueca Altris, derivada da Universidade de Uppsala, desenvolve materiais para baterias de sódio seguras e ecológicas, com parcerias em andamento com a Clarios. A francesa Tiamat avança com um projeto de fábrica de 5 GWh, implantado com captação de €150 milhões, para atender inicialmente setor de ferramentas elétricas e armazenamento estacionário, com expansão futura para uso em veículos. A britânica Faradion, adquirida pela indiana Reliance, pretende escalar produção giga-tamanho e já prepara baterias com densidade energética competitiva (~160 Wh/kg), visando mobilidade urbana e armazenamento.

Além disso, outras empresas como Solidion (EUA) exploram eletrólitos à base de sódio sólido com alta segurança e tolerância a altas velocidades de recarga, visando frotas e armazenamento em rede. A Wärtsilä Energy, por sua vez, estuda aplicar baterias de sódio em soluções de energia estacionária, valorizando a escalabilidade e diversificação das cadeias de suprimento.

As baterias de sódio exibem, por um lado, densidade energética inferior ao lítio, o que limita a autonomia em veículos, mas por outro apresentam enorme valor para aplicações onde peso e espaço são menos críticos como data centers, armazenamento de energia renovável e recarga rápida local. A Agência Internacional de Energia prevê que até 2030 as baterias de sódio poderão representar cerca de 10% das adições globais de armazenamento energético anual.

Geopolítica e sustentabilidade impulsionam a transição. O sódio é abundante, distribuído globalmente e acessível, em contraste com o lítio, cuja cadeia produtiva é dominada por poucos países, sobretudo a China. Experts no setor apontam que a diversificação tecnológica com baterias de sódio fortalece a segurança energética e reduz vulnerabilidades – e empresas como Peak Energy nos EUA já instalaram projetos-piloto para redes elétricas usando essas baterias.

O momento é decisivo: com avanços tecnológicos, apoio político e investimentos robustos, as baterias de sódio saem do laboratório e entram em produção concreta. Elas não substituem o lítio em todos os casos, mas emergem como uma solução sólida para certos setores, especialmente fixos e industriais, que exigem segurança, baixo custo e cadeia de suprimentos resiliente.