“Meu corpo não é mercadoria”: apelo de vítima a Elon Musk no X

Uma sobrevivente de abuso sexual infantil — que prefere ser chamada de Zora — fez um apelo público a Elon Musk para que ele remova imediatamente da plataforma X (antigo Twitter) os links que levam a imagens que registram o crime que sofreu há mais de vinte anos. A denúncia foi levada à tona pela BBC, que em reportagem revelou que o conteúdo continua sendo compartilhado e comercializado abertamente no X. A vítima descreve a situação como revoltante e traumática e afirma que o corpo dela jamais foi mercadoria. Ela critica duramente quem compartilha esse tipo de material, afirmando que quem o distribui deixa de ser espectador e se torna cúmplice do crime.

A investigação da BBC, em parceria com o grupo de hacktivistas Anonymous, rastreou uma conta no X que oferecia pacotes de imagens e vídeos de abuso infantil com promoção de links para canais no Telegram. As operações pareciam originar-se da Indonésia e operavam um esquema de assinaturas, inclusive com “pacotes VIP” contendo milhares de arquivos, incluindo as imagens de Zora.

Zora relata que embora o agressor tenha sido preso há muitos anos, o material gerado no momento do abuso ainda circula. A revitimização contínua faz com que ela se sinta intimidada por algo que já havia tentado superar.

Em resposta, o X reafirmou sua política de tolerância zero contra exploração sexual infantil e disse que proteger menores desta forma de violência é prioridade máxima. A plataforma também declara que mesmo conteúdos compartilhados com boas intenções, como indignação ou denúncia, podem ser removidos para evitar normalização ou revitimização.

Apesar dessas declarações, há indícios de que a moderação piorou desde que Elon Musk assumiu o controle da empresa. Relatórios apontam que aumentou o tempo de resposta às notificações de conteúdo abusivo. No Canadá e na Austrália, organizações responsáveis por relatar o material de abuso infantil apontam atrasos que chegam a até uma semana para que as publicações sejam removidas do X.

Em 2024, o X chegou a ser processado na Austrália por não cooperar com investigações sobre exploração infantil. A eSafety Commission denunciou que a detecção proativa de conteúdo ilegal caiu de 90 % para 75 % após a transição para Musk, o que levou à aplicação de multa de cerca de A$ 610 500.

Além disso, uma investigação da BBC em 2024 revelou que contas verificadas — aquelas com tique azul, pagas — compartilharam links para sites com vídeos de abuso sexual infantil. Algumas dessas postagens alcançaram milhares de visualizações antes de serem denunciadas e removidas.

Esses episódios expõem uma grave contradição entre as promessas de segurança e realidade observada. O apelo de Zora emerge não apenas como um pedido pessoal, mas como um alerta urgente sobre a vulnerabilidade persistente de vítimas que já sofreram profundamente.

Em síntese o discurso de Zora clama por uma ação concreta e imediata de Elon Musk e da equipe do X para garantir que esse tipo de conteúdo seja definitivamente removido da plataforma e que medidas efetivas de moderação protejam outras vítimas contra revitimização.