A startup holandesa RanMarine Technology, sediada em Roterdã, desenvolveu o WasteShark, um drone aquático autônomo que “nada” pela superfície da água e coleta resíduos flutuantes, como plásticos, biomassa, microplásticos, algas e óleo. Inspirado no tubarão-baleia, o WasteShark possui uma abertura frontal que funciona como uma boca, puxando o lixo para um compartimento interno onde os detritos são armazenados.
Equipado com sensores avançados, além de coletar lixo, o drone também monitora parâmetros da qualidade da água como temperatura, pH, oxigênio dissolvido, presença de hidrocarbonetos e outros indicadores relevantes. A navegação é precisa, graças ao uso de sistemas de posicionamento que combinam GPS com tecnologia de posicionamento preciso da Deutsche Telekom, garantindo trajetórias eficientes mesmo em ambientes complexos.
O WasteShark opera de forma autônoma ou por controle remoto e consegue atuar entre 8 a 10 horas seguidas com uma carga de bateria, recolhendo até 500 kg de resíduos por dia. Também há registros de capacidade equivalente a 180 litros de lixo por missão.

Para facilitar operações contínuas, RanMarine desenvolveu a SharkPod, uma estação flutuante autônoma onde vários drones podem descarregar seu lixo, recarregar baterias e retomar o trabalho. Atualmente, existem dezenas de WasteSharks em operação em diversos países, entre eles Reino Unido, Estados Unidos, Singapura e Países Baixos.
Casos reais de aplicação demonstram o impacto prático da tecnologia. Em Toronto, por exemplo, o WasteShark foi implementado com apoio do programa do governo holandês Netherlands Enterprise Agency, funcionando em portos, marinas e áreas urbanas. Em Leeds, no Reino Unido, o drone foi utilizado nos canais da cidade, capturando lixo flutuante com sua ampla “boca”.
Desde 2021 o WasteShark vem sendo destacado como o primeiro drone aquático autônomo do mundo dedicado à coleta de resíduos e dados ambientais. Ele já foi usado em portos, marinas e zonas urbanas em países como África do Sul, Índia, Tailândia, Suécia, Emirados Árabes Unidos e Austrália.
Além de ser 100 % elétrico, o WasteShark tem pegada de carbono zero, não produz ruído, poluição luminosa ou emissões poluentes, o que o torna seguro para a vida aquática e ideal para ambientes sensíveis.
Essa tecnologia representa uma inovação notável no combate à poluição hídrica, com impacto direto na preservação de rios, lagos, canais e, indiretamente, dos oceanos. Ao interceptar o lixo antes que ele alcance ambientes marinhos, o WasteShark atua em prevenção e monitoramento, promovendo soluções sustentáveis e inteligentes para a gestão de corpos d’água.

