A parceria entre Netflix e Amazon anunciada em 10 de setembro de 2025 representa uma mudança significativa no cenário da publicidade digital conectada ao streaming. O acordo prevê que anunciantes que utilizam a Amazon DSP (Demand-Side Platform) terão acesso direto ao inventário de anúncios premium da Netflix no plano com anúncios. A funcionalidade será ativada no quarto trimestre de 2025.
A integração incluirá onze mercados: Estados Unidos, Reino Unido, França, Espanha, México, Canadá, Japão, Brasil, Itália, Alemanha e Austrália. Nestes países anunciantes poderão, via Amazon DSP, comprar espaços publicitários na Netflix sem precisar lidar diretamente com negociações manuais complexas.
Do lado da Amazon, esta parceria reforça sua estratégia de consolidar ainda mais sua presença no mercado de anúncios programáticos para TV conectada. A Amazon DSP já é usada por marcas que desejam planejar, comprar e mensurar campanhas de publicidade digital e televisiva de forma integrada, com segmentação usando dados próprios (“first-party data”) e tecnologia avançada, incluindo infraestrutura limpa (“clean room”) para medição.
Para a Netflix, o acordo permite ampliar o alcance do inventário publicitário, tornar a compra mais simples para anunciantes e aumentar a demanda e receita de publicidade. A empresa já vinha expandindo suas parcerias programáticas com outras plataformas como Yahoo DSP, The Trade Desk, Google DV360 e Microsoft. Além disso, ela informou que seu plano com anúncios tem cerca de 94 milhões de usuários ativos mensais globalmente.
A disponibilização desse inventário programático via Amazon DSP tem potencial para simplificar os processos de planejamento para anunciantes interessados em TV conectada ou streaming com anúncios. Será possível adquirir espaço publicitário na Netflix através de uma plataforma que já congrega outros ambientes digitais.
Do ponto de vista competitivo, esse movimento impacta empresas que operam no espaço de publicidade programática, como The Trade Desk. Analistas já reagiram ao anúncio apontando que a ação pode pressionar empresas concorrentes que não têm acesso tão direto ou grande escala no inventário premium de streaming.
Existem desafios. A Netflix precisa garantir que a qualidade da segmentação, o controle de experiência do usuário e as métricas de desempenho mantenham-se confiáveis. A Amazon DSP, por sua vez, precisa assegurar integridade nos dados, transparência para anunciantes e cumprir normas regulatórias, especialmente em mercados com regras de privacidade vigorosas. Também há riscos de consolidação do poder no ecossistema de ad tech, o que pode levar a escrutínio regulatório.
Em resumo, trata-se de uma iniciativa concreta e oficial, baseada em fatos confirmados pelas próprias empresas envolvidas, que altera o modo como se compra publicidade associada a streaming com anúncios, com impacto global e relevante para o setor.

