A Meta Platforms comunicou recentemente que vai demitir cerca de 600 colaboradores de sua divisão de inteligência artificial (IA), como parte de uma reestruturação estratégica para tornar suas equipes mais ágeis e focadas. Em paralelo a esse anúncio global, um arquivo de demissão submetido ao Departamento de Emprego do Estado de Washington revela que 101 funcionários serão desligados de escritórios da empresa no estado, com foco nas localidades de Bellevue (48 funcionários), Seattle (23 funcionários) e Redmond (4 funcionários), além de 23 trabalhadores remotos baseados em Washington. Esses cargos abrangem engenheiros de software, pesquisadores de IA, cientistas de dados, gerentes de produto, especialistas em privacidade e analistas de compliance.
A Meta, que possui uma significativa presença de engenharia na região de Seattle (uma de suas maiores fora de Menlo Park), já vinha ajustando sua operação no noroeste dos Estados Unidos: o novo arquivo observa que a empresa havia sublocado parte de seu escritório no Spring District, em Bellevue, e reduzido parcialmente sua ocupação em Redmond, tradicional base de operações de real-idade mistura. A data oficial de término para os desligamentos está programada para 22 de dezembro, conforme o aviso formal de ajuste (WARN notice) entregue em 22 de outubro à secretaria estadual.
No memorando interno obtido pela imprensa, o diretor-chefe de IA da Meta, Alexandr Wang, explicou que o objetivo das cortes é tornar as equipes menores e “mais densas em talentos”, para que menos pessoas façam mais decisões e cada colaborador tenha mais impacto individual. A Meta vem investindo pesadamente em IA, incluindo a aquisição da startup Scale AI por cerca de US$ 14,3 bilhões para alimentar seu novo laboratório de “superinteligência”, denominado TBD Lab. Entretanto, essa ampliação rápida gerou sobreposições de funções, rotatividade interna e aumento da complexidade operacional, o que a empresa agora busca corrigir.
Além disso, a Meta indicou que continuará contratando em áreas consideradas estratégicas, como o laboratório TBD, o que sugere um realinhamento de prioridades mais do que um abandono do investimento em IA.
Essa movimentação corporativa também gera implicações para o ecossistema de tecnologia do estado de Washington. Com empresas como Microsoft Corporation e Amazon.com, Inc. já protagonizando grandes cortes na região, o impacto no mercado de trabalho local, em especial para engenheiros de IA e infraestrutura, pode ser significativo. Essa região, que abrigou a expansão de escritórios de diversas gigantes do setor, veem agora uma retração que reflete a maturação e ajuste de expectativas no ramo de inteligência artificial.
Para a Meta, o foco reside em fazer com que sua divisão de IA trabalhe com menos núcleos, mais foco e maior eficiência. Para os funcionários afetados, o cenário exige adaptação e busca por novas oportunidades, inclusive dentro da própria empresa ou em outras empresas de tecnologia da região. O mercado vai acompanhar se essa reorganização resultará em ganhos de produtividade e qual será a resposta dos talentos que buscam atuar em IA e infraestrutura na costa oeste dos Estados Unidos.

