A IBM anunciou recentemente um avanço marcante no campo da computação quântica com o desenvolvimento do IBM Quantum Starling, o primeiro supercomputador quântico em larga escala e tolerante a falhas. A informação foi oficializada em 10 de junho de 2025 pelo El País, destacando que sua construção já se inicia no centro da IBM em Poughkeepsie, Nova York, e que o sistema deverá estar plenamente operacional até 2029.
O Quantum Starling trará 200 qubits lógicos com capacidade para executar até 100 milhões de operações quânticas por ciclo. Tal salto é possível graças à aplicação de um novo protocolo de correção de erros chamado LDPC (Low-Density Parity-Check), que diminui drasticamente o número de qubits físicos necessários, conforme detalhado pela IBM.
Além disso, o projeto inclui processadores como o Quantum Loon, Kookaburra e Cockatoo, criando uma arquitetura modular escalável e robusta.

Como resultado dessa inovação, as ações da IBM atingiram um recorde histórico, com preço de US$ 276,24 na terça-feira (cerca de 25 % de alta desde o início de 2025), atribuída à clareza da meta de lançar um sistema tolerante a falhas até o final da década.
Jay Gambetta, vice-presidente da divisão IBM Quantum, afirmou que o foco atual é a engenharia dos sistemas, não mais a ciência fundamental – já dominada – o que reforça a confiança na execução do plano de 2029.
Dentro dessa mesma estratégia de inovação, a IBM segue ampliando sua oferta de ferramentas de software para programadores quânticos. Em 2024, foi anunciada a segunda revisão do processador Heron, agora com 156 qubits, em operação no IBM Quantum System Two.
Este sistema modulado, instalado em Yorktown Heights, combina três chips Heron e permite executar circuitos com até 5 000 portas de dois qubits — um patamar praticamente inalcançável para simuladores clássicos.
Parte da arquitetura de ponta, o System Two já está sendo instalado em Donostia (San Sebastián), no País Basco, inserido num novo centro quântico que deve estar completo ainda em 2025, e com uso remoto de capacidade liberado desde junho.

O software Qiskit, plataforma open‑source da IBM lançada em 2017 e aprimorada desde então, foi fundamental nesse progresso. Em 2024, houve a liberação da versão Qiskit 1.0, seguida por funcionalidades avançadas de “Circuit Knitting”, “Quantum Serverless” e suporte para integração generativa com watsonX, permitindo arquiteturas híbridas que combinam computação quântica e clássica em tempo real.
A jornada da IBM não para por aí. A empresa traçou um ambicioso roteiro até 2033, no qual após o lançamento do Starling, prevê-se o desenvolvimento do Blue Jay, um sistema capaz de executar até 1 bilhão de operações com 2 000 qubits lógicos.
Este plano demonstra o compromisso de crescimento gradual e sustentável, alicerçado no controle dos erros quânticos e possibilidade de acesso via nuvem híbrida.

O impacto esperado dessa tecnologia é extenso: da descoberta de novos fármacos à simulação de materiais inovadores, passando por otimização de cadeias logísticas, aeronáutica e aplicações financeiras — áreas já mencionadas por especialistas durante o início das calibrações do System Two em San Sebastián . Além disso, os centros implantados, como o de Donostia, estão gerando novas vagas de trabalho e exigirão formação especializada para explorar o potencial quântico na Europa.
Vale destacar que esse momento coincide com uma fase de consolidação do setor, em que líderes como Nvidia, Google e AWS intensificam esforços, mas que a IBM segue com vantagem ao apresentar um cronograma concreto, hardware pronto, software robusto e integração com nuvem – todos elementos que definem a era da “utilidade quântica”.
