A Texas Instruments (TI) anunciou um investimento sem precedentes nos Estados Unidos: mais de US$ 60 bilhões para construir e expandir sete fábricas de semicondutores em solo americano, divididos entre três “megasites” em Sherman (Texas), Richardson (Texas) e Lehi (Utah).
Esta cifra histórica representa o maior aporte já feito pela empresa em manufatura doméstica e visa criar mais de 60 000 empregos no país.
As novas instalações da TI, incluindo os fabs SM3 e SM4 em Sherman, complementam os já em operação SM1 e SM2, além das expansões em Lehi e Richardson — todas especializadas na produção de chips analógicos e de processamento embutido que alimentam dispositivos como smartphones, carros, data centers, satélites e sistemas médicos.
A TI destaca que esses semicondutores “fundamentais” são cruciais para seus parceiros, que incluem gigantes como Apple, Ford, Medtronic, NVIDIA e SpaceX.

O aporte vem na esteira da Lei CHIPS and Science Act, sancionada em 2022, que facilita fundos e incentivos fiscais para fortalecer a indústria de chips nos EUA.
A própria TI já recebeu cerca de US$ 1,6 bilhão em apoio federal para suas expansões em Sherman e Lehi, parte do total de US$ 280 bilhões destinados ao setor pelo governo americano.
Os semicondutores são componentes eletrônicos em forma de lâminas de silício gravadas com circuitos que controlam o fluxo de corrente elétrica. Eles são vitais porque permitem que dispositivos realizem cálculos, armazenem dados, processem sinais, e se comuniquem. Chips analógicos traduzem sinais do mundo real — como temperatura, pressão ou luz — em dados digitais. Já os processadores embutidos combinam funções lógicas e de controle para comandar desde os sistemas de frenagem de um automóvel até sensores médicos – ou o funcionamento interno de um smartphone.
A importância desse investimento se reflete no contexto geopolítico e econômico global: a pandemia expôs as fragilidades das cadeias globais de produção, e o país busca reduzir dependência de fabricantes asiáticos. O presidente do conselho da TI, Haviv Ilan, destacou que estão construindo “capacidade confiável e de baixo custo com wafers de 300 mm em escala para entregar os chips analógicos e de processamento embutido vitais para quase todos os tipos de sistemas eletrônicos”.
O Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, reforçou que o plano da TI, apoiado pelas administrações anteriores, “vai sustentar a fabricação de chips nos EUA por décadas”
A estratégia oferece benefícios econômicos diretos – com dezenas de milhares de novos empregos, investimentos em educação local e incentivos fiscais – e reforça a segurança nacional ao estabelecer uma base sólida para a produção de tecnologias emergentes, como inteligência artificial, veículos autônomos e equipamentos médicos.

Vale ressaltar que a TI tem uma longa história na inovação: fundada em 1951, a empresa criou o primeiro transistor de silício comercial em 1954, o circuito integrado em 1958 (por Jack Kilby), a calculadora portátil em 1967, e o primeiro microcontrolador de chip único em 1970.
Esse passado reforça sua atual expansão como estratégia de longo prazo, não apenas uma resposta a incentivos momentâneos.
Em suma, o investimento bilionário – somado ao apoio da CHIPS Act e à demanda global por semicondutores – coloca a Texas Instruments no centro da revolução tecnológica americana. O projeto não apenas amplia a infraestrutura com sete fábricas de última geração, mas ainda resgata competências industriais estratégicas relevantes para a soberania tecnológica dos Estados Unidos.
