TikTok escapa do banimento nos EUA pela 3ª vez

Desde o início de 2025, o ex-presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre o TikTok, exigindo que sua dona chinesa, a ByteDance, venda ou desligue completamente a operação nos EUA. Essa tensão se originou com a assinatura da lei “Protecting Americans from Foreign Adversary Controlled Applications Act” em abril de 2024, pelo governo de Joe Biden. A legislação determinou que, até 19 de janeiro de 2025, o TikTok deveria ser vendido a investidores não chineses, sob pena de banimento — medida fundamentada em preocupações de segurança nacional relativas ao uso indevido de dados de 170 milhões de americanos.

Quando Biden deixou o poder, o app foi retirado das lojas de aplicativos por aproximadamente 14 horas, voltando à atividade assim que Trump assumiu. No seu primeiro dia de gestão, Trump assinou uma ordem executiva que concedeu uma extensão de 75 dias, prorrogável conforme negociações avançassem . Posteriormente, tocado pelas vantagens políticas do TikTok entre os eleitores jovens (teria recuperado cerca de 36 pontos de apoio desse público em sua campanha), Trump mudou de postura, evitando um banimento total e buscando uma saída intermediária.

Trump e Xi Jinping

Nos dias seguintes, foram anunciadas dois prazos adicionais de 75 dias, o segundo em abril e o terceiro em 19 de junho de 2025, estabelecendo o novo prazo para 17 de setembro de 2025 . Com isso, o governo Trump visava dar margem para renegociações, ainda que parte da comunidade jurídica critique a legalidade de múltiplas extensões – afinal, a lei autoriza apenas uma – e conteste se Trump possui autoridade para estendê-las após o voto do Congresso.

Paralelamente, vieram à tona conversas entre Trump e altos executivos americanos — inclusive da Microsoft, Oracle e grupos de investimento liderados por Alexis Ohanian e Steve Mnuchin — para viabilizar a aquisição das operações dos EUA; até se cogitou a criação de um “sovereign wealth fund” americano para a compra . Porém, todos os avanços têm esbarrado em resistência de Pequim, que condiciona sua aprovação a algum alívio tarifário ou contrapartidas políticas, como a diminuição de tarifas de importação americanas . Esse impasse travou o acordo, demonstrando que a questão é mais ampla que segurança de dados: envolve fogo cruzado de geopolítica e comércio entre EUA e China.

Do lado institucional, a Casa Branca, através dos representantes Trump e do vice-presidente J.D. Vance, vem afirmando que o movimento é legal e necessário para proporcionar “tempo para um bom acordo” . Já senadores democratas, como Mark Warner, apontam que essas extensões compulsórias “ignoram o espírito da lei” e podem ser contestadas judicialmente.

Enquanto isso, o TikTok tem mantido uma postura cooperativa, afirmando estar “absolutamente confiante em uma solução” e agradecendo publicamente pelas novas brechas para continuar operando — sem evidências de má gestão de dados, mas com proteção legal que ainda depende da vontade política.

Em resumo, estamos diante de um cenário complexo:

Uma lei de 2024 impõe venda obrigatória ou banimento até 19/1/2025;

Trump prorrogou três vezes o prazo por executivo, buscando uma “compra americana”;

Há interesse de gigantes da tecnologia e fundos investidores;

Pequim não libera negociações sem concessões comerciais;

Críticos questionam a legalidade das prorrogações;

Usuários do TikTok continuam ativos — embora vivendo uma incerteza estratégica.

O resultado final ainda depende de negociações que envolvem múltiplos polos de poder — um embate que, embora centrado na venda do TikTok, é reflexo das tensões entre segurança digital, soberania tecnológica e rivalidade econômica global entre EUA e China.