China testa veículo magnético que pode chegar a 1.000 km/h

Nas últimas semanas, a China realizou testes com um protótipo avançado de veículo de levitação magnética em tubo de baixa pressão, popularmente apelidado de “hyperloop chinês” ou T‑Flight, desenvolvido pela estatal China Aerospace Science and Industry Corporation (CASIC) e autoridades da província de Shanxi. Em agosto de 2024, foi realizada uma demonstração bem-sucedida com uma versão em tamanho real operando sobre uma pista de 2 km em Yanggao, Datong, província de Shanxi, mantendo levitação estável e paradas seguras dentro dos parâmetros projetados.

O protótipo utiliza o que se denomina sistema de maglev em tubo de baixa pressão, combinando levitação eletromagnética supercondutora com ambiente com ar rarefeito, quase sob vácuo, minimizando o atrito aerodinâmico. O sistema possibilita atingir velocidades teóricas de até 1.000 km/h (621 mph) e ignora atritos comuns em trens tradicionais, elevando a eficiência.
A CASIC já havia indicado, em 2024, que testes anteriores registraram mais de 623 km/h, e o recente protótipo manteve os níveis de suspensão esperados, alinhando-se às metas técnicas de projeto.

A importância desse teste transborda o registro de velocidade. Além de confirmar a viabilidade de manter ambiente de baixa pressão em tubos de grande escala por longas distâncias (2 km na fase atual), os resultados mostram que os sistemas de controle de levitação e navegação — integrando tecnologias do setor aeroespacial — funcionam em conjunto, conforme relatado por órgãos oficiais e pelo periódico China Daily.

Este programa de pesquisa tem início em 2022, com a CASIC e o governo local planejando expandir os testes para pistas de até 60 km, etapa necessária para avaliar capacidade de operação em velocidades extremas e verificar sua aplicação prática em rotas interurbanas, como ligações entre Xangai e Pequim — percurso que hoje leva cerca de 4h no trem convencional e duas horas de voo.

O veículo também representa um avanço no esforço chinês de tomar a frente na chamada “geração hyperloop” ou transporte maglev de ultra alta velocidade, com competidores globais nos EUA e Europa ainda distantes de demonstrações de tamanho real. A abordagem “tubo + vácuo” permite velocidades comparáveis ao transporte aéreo, mas com menor consumo de energia e sem emissões diretas, o que sinaliza impacto significativo nas metas de redução de carbono e integração urbana.

Quais são os próximos passos?

O cronograma prevê que, após esta fase de verificação de estabilidade e controle, a próxima fase envolverá testes em pistas de 60 km para validar os sistemas em condições de alta velocidade prolongada. Só após essa fase uma decisão sobre o cronograma para implementação comercial poderá ser formulada. Não foram divulgadas ainda estimativas de custos ou datas para o uso real por passageiros.

Possíveis desafios no caminho incluem alto investimento para construção de túneis de baixa pressão, consumo energético e adequação de infraestrutura. Especialistas internacionais têm apontado que o custo de construção de maglev de alta velocidade pode ser de quatro a cinco vezes superior ao de locomotivas convencionais, além da complexidade técnica de manter grandes trechos em vácuo .

Ainda assim, caso mantenha o cronograma previsto, a China pode inaugurar o primeiro sistema operacional de transporte maglev sob vácuo do mundo — o que representaria uma revolução nos padrões globais de mobilidade, com trajetos interurbanos feitos em velocidades próximas às de um avião, mas com menor impacto ambiental e integração regional.