Eventos envolvendo Pavel Durov, cofundador e CEO do Telegram, ganharam atenção global após entrevistas ao Le Point e cobertura de veículos como People e AFP. Aos 40 anos, Durov surpreendeu ao confirmar que possui seis filhos biológicos e mais de 100 crianças concebidas por doação de esperma em pelo menos doze países.
Ele também revelou que elaborou um testamento, dispondo que todo o seu patrimônio — estimado entre US$ 13,9 bilhões e US$ 17,1 bilhões, segundo fontes como Forbes, People e Business Insider — seja repartido iguais entre todos os filhos, independentemente da forma de concepção.
Durov, que vive em exílio voluntário e detém cidadanias russa, francesa e dos Emirados Árabes Unidos, declara que a decisão se encontra motivada tanto por convicções pessoais quanto por preocupações com sua segurança — dado o histórico de atritos legais envolvendo conteúdos hospedados no Telegram . Ele estipulou também que nenhum dos herdeiros terá acesso à herança até 30 anos após sua morte, ou seja, a partir de 19 de junho de 2055, com o objetivo de garantir que cada filho possa se desenvolver de forma independente, sem dependência imediata da riqueza.

A revelação deu origem a intenso debate público. Por um lado, o gesto foi visto como inovador e inclusivo, ao tratar igualmente filhos naturais e doados, numa lógica de “todos têm os mesmos direitos” . Por outro, gerou questionamentos sobre os aspectos éticos e logísticos de manter informações genéticas abertamente — Durov mencionou inclusive planos de “open-source” de seu DNA, facilitando a identificação entre seus filhos biológicos.
As implicações legais são complexas. Uma ex-parceira, Irina Bolgar, mãe de três de seus filhos, move processos na Suíça alegando violência doméstica e dívida de pensão. Ela também reivindica participação nos bens da empresa, embora Durov afirme que presta suporte de US$ 10 000 por mês a cada filho.
Já na França, ele enfrenta acusação desde 2024 por suposta omissão no combate a conteúdo criminoso na plataforma — denúncias que Durov nega categoricamente.
O caso também reflete tendências do universo dos bilionários: ao lado de figuras como Elon Musk, que possui catorze filhos, Durov passa a integrar um grupo minoritário e controverso de magnatas que adotam métodos procriativos alternativos, como doações de esperma. Porém, enquanto Musk teve seus filhos registrados publicamente, Durov manteve as doações anônimas por até 15 anos, muitas crianças nascidas sem conhecer a identidade do doador.
Do ponto de vista empresarial, a movimentação ocorre num momento sensível: embora o Telegram tenha alcançado marco de quase 1 bilhão de usuários ativos, Durov enfrenta processos em várias jurisdições (França, Suíça) e questionamentos sobre estrutura de dados possivelmente ligada a serviços de inteligência . O anúncio do testamento e do número de filhos gera um efeito duplo: chama atenção mundial, mas também reforça preocupações sobre sua situação pessoal e legal.

Para os interessados em seguir o desenrolar, vale acompanhar a edição desta semana da revista People, artigos de fontes como AFP, Business Insider, The Times, The Guardian, TIME e The Economic Times, que trazem detalhes do caso e do contexto familiar, legal e empresarial . Apesar do caráter pessoal e sensível do assunto, o fato de um bilionário de tecnologia abrir mão de parte dos valores em benefício de uma vasta prole, demonstrando preocupação com igualdade entre filhos e retardamento de acesso ao patrimônio, inaugura uma discussão ampla sobre legado, ética digital, parentalidade e direitos de herança no século XXI.
