Desde seu lançamento, o PlayStation 5 utiliza um inovador composto de metal líquido como interface térmica entre o chip APU (que integra CPU e GPU) e o dissipador de calor. Esse material — geralmente uma liga à base de gálio — possui condutividade térmica muito superior ao pasta tradicional, permitindo manter temperaturas mais baixas e maior eficiência do console.
No entanto, surgiram relatos de que esse metal líquido pode se deslocar ou até vazar, especialmente em unidades mais antigas ou que passaram por manutenção, causando sérios problemas.
Fontes especializadas, como o site RepairSpotter, detalham como o “seu PS5 desligar repentinamente, superaquecer ou travar de forma aleatória” pode estar relacionado a vazamentos do metal líquido — sobretudo quando o console é mantido em posição vertical e após reparos malfeitos.
Como um fórum técnico observou: “o composto metálico pode escorrer para um lado do APU, criando manchas secas que comprometem a dissipação de calor”.

Relatos de técnicos e usuários reforçam esse padrão. No Reddit, um usuário de r/ps5india compartilhou em fevereiro de 2025:
“coloquei na vertical o tempo todo… o metal líquido havia se agrupado de um lado e quase metade da APU estava seca. Reespalhei e agora funciona bem.”
Outro relato no r/CODWarzone, também em fevereiro, mostra:
“depois de colocar na horizontal, não há mais superaquecimento… o metal líquido deslizou e não resfriava direito.”
Já em r/consolerepair, um técnico pontuou:
“vazamento do metal líquido fora do selo é raro, mas acúmulo na parte inferior é muito comum… quase todo PS5 que abro tem pontos secos no processador”.
Esses “pontos secos” no chip resultam em falhas térmicas: o APU superaquecido ativa o mecanismo interno de proteção e desliga o sistema. Com o tempo, isso pode causar danos permanentes à unidade, reduzindo sua vida útil ou levando a falhas críticas que tornam o console inutilizável.
Sobre possíveis soluções, as fontes recomendam:
Manter o console na posição horizontal, para evitar que o metal líquido seja puxado pela gravidade e agrupe no fundo do chip.
Reaplicar o metal líquido ou remover manchas secas, preferencialmente por técnicos qualificados.
Evitar abrir o console em serviços não especializados, o que pode danificar a vedação original e acelerar o problema.
Vale destacar que a Sony reformulou o sistema térmico no PS5 Slim e no PS5 Pro — adicionando sulcos no dissipador para conter melhor o metal líquido, o que deve reduzir o risco desses vazamentos.
Ainda que a Sony mantenha oficialmente liberdade para uso em ambas as posições, a opinião técnica converge: colocar na horizontal é uma “precaução simples e eficaz”.

Em termos de escalonamento do problema, embora sites como Wololo tenham desmentido alarmismos iniciais, especialistas apontam que ainda há milhares de unidades afetadas — embora seja uma porcentagem pequena em relação ao total — e que o problema tende a aumentar com console envelhecendo e ciclos térmicos.
A gravidade do caso talvez ainda não alcance a escala de grandes falhas históricas (como o RRoD do Xbox 360), mas se encarado com a combinação de uso agravante (vertical), manutenção mal feita e tempo, muitos consoles podem de fato “morrer” prematuramente — especialmente após o fim da garantia.
O metal líquido no PS5 é uma solução avançada para controle de calor, mas exige cuidados para evitar falhas. Os principais conselhos são: manter o console na horizontal e realizar manutenções somente em técnicos especializados. Isso minimiza os riscos de vazamentos, superaquecimentos e falhas graves que já estão afetando uma parcela considerável de unidades mais velhas ou revisadas. A Sony já reconheceu o risco e revisou o design nas novas versões, o que melhora a situação, mas os usuários de consoles originais ainda devem observar medidas preventivas.
