Concorrência asiática derruba fábrica da Michelin em Guarulhos

A Michelin anunciou oficialmente, em junho de 2025, o encerramento gradual das atividades de sua fábrica em Guarulhos (SP) até o fim do ano. A unidade emprega cerca de 350 colaboradores e fabrica câmaras de ar para motos e bicicletas, pneus industriais e produtos semiacabados. A empresa justifica a decisão devido à “supercapacidade produtiva” causada por forte entrada de produtos importados, sobretudo da Ásia, muitas vezes vendidos abaixo do custo de produção nacional.

A queda no mercado doméstico agrava o cenário. Em 2024, houve retração de 2,7% nas vendas de pneus no Brasil — o menor volume desde 2013, totalizando 50,6 milhões de unidades — e a área de reposição e o segmento de passeio recuaram significativamente. O forte avanço dos concorrentes asiáticos, com preços mais agressivos, torna insustentável a operação local, conforme avalia a própria Michelin.

Antes de chegar ao fechamento, a empresa estudou diversas alternativas para manter a operação, mas concluiu que nenhuma seria viável diante das tendências persistentes do mercado. “A decisão de encerrar as atividades foi tomada como último recurso”, afirmou Hervé Le Gavrian, CEO da Michelin América do Sul.

representação por IA de linha de montagem

A Michelin ressalta seu compromisso com a responsabilidade social: oferece pacote de desligamento em negociação com o sindicato, incluindo apoio financeiro e orientação profissional individualizada — medidas que ultrapassam o mínimo legal. A retomada do processo, portanto, seguirá protocolos formais com acompanhamento personalizado aos 350 funcionários afetados.

Apesar do fechamento da planta de Guarulhos, a Michelin garante que continuará investindo e operando no Brasil. São oito fábricas — localizadas nos estados do Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e outra em São Paulo — com mais de 8 000 empregados, incluindo pesquisa, heveicultura e reciclagem de pneus.

A movimentação faz parte de um movimento global de reestruturação da fabricante: em 2024 e 2025, a Michelin fechou ou anunciou o fechamento de unidades na França (Cholet e Vannes) e Alemanha, como parte de medidas para restaurar competitividade frente ao mercado asiático.


Por que a Michelin decidiu fechar Guarulhos?

O principal fator é a forte concorrência dos importados. A supercapacidade nacional, impulsionada por produtos mais baratos vindos da Ásia, tornou a produção local não competitiva. Mesmo antes, o segmento de câmaras de ar já vinha sofrendo com pressão de preços e queda de demanda.