Amazon avança no mercado espacial com Project Kuiper

A disputa crescente entre Amazon e Starlink pela soberania da internet via satélite manifesta-se claramente no avanço do Projeto Kuiper da Amazon, concebido para rivalizar com o consolidado serviço da Starlink, da SpaceX. No dia 28 de abril de 2025, a Amazon lançou os primeiros 27 satélites do seu programa usando um foguete Atlas V da United Launch Alliance a partir da plataforma de lançamento de Cabo Canaveral nos Estados Unidos. A meta é ambiciosa: uma constelação composta por mais de 3 200 satélites em órbita baixa (LEO), com metade desse total já exigido pela FCC até meados de 2026.

O ritmo de lançamentos tem se acelerado. Em junho de 2025 a Amazon realizou seu segundo lançamento com 27 outros satélites, novamente através de um foguete Atlas V. Posteriormente, em julho, um foguete Falcon 9 da SpaceX transportou mais 24 satélites Kuiper para o espaço. Esse movimento evidencia uma relação curiosa: apesar de serem rivais diretas, Amazon e SpaceX cooperam no quesito logístico para impulsionar as ambições do Kuiper.

Essa corrida orbital reflete um cenário de competição crescente pela soberania da internet via satélite. A Starlink já está presente globalmente, com mais de 8 000 satélites operando e milhões de usuários espalhados em várias regiões do planeta. Em paralelo, o Kuiper busca aproveitar a vasta infraestrutura de nuvem da Amazon, seu know-how em manufatura de dispositivos em escala e as parcerias de lançamento com ULA, Arianespace, Blue Origin e até mesmo SpaceX.

Um passo relevante nessa disputa foi a recente parceria entre Amazon e JetBlue anunciada hoje. A companhia aérea planeja usar o serviço de internet via satélite do Projeto Kuiper já a partir de 2027, complementando sua atual oferta baseada em satélites geoestacionários. A Starlink, por sua vez, já tem acordos com outras grandes companhias aéreas como United Airlines e Hawaiian Airlines. Esse movimento intensifica a competição no segmento de conectividade em voo e reforça o papel estratégico que o Kuiper busca ocupar.

A ambição da Amazon também está ligada à redução de custos. A empresa anuncia terminais de usuário mais acessíveis, com versões portáteis compactas e opções residenciais de até 1 Gbps, com preços projetados abaixo de US$ 400. A expectativa é de que, apesar dos investimentos iniciais elevados — estimados em US$ 10 bilhões ou até US$ 23 bilhões segundo análises do Bank of America —, o Kuiper possa se tornar um negócio robusto em termos de retorno sobre o capital investido.

Essa corrida espacial deixa claro que a “soberania da internet” torna-se cada vez mais um campo estratégico: governos e empresas buscarão garantir conectividade sob seus próprios termos, sem depender exclusivamente de um único provedor. O Kuiper, amparado pela estrutura da Amazon, sua presença global e seus investimentos robustos, representa uma ameaça real à atual hegemonia da Starlink.