A China alcançou um marco revolucionário na engenharia de infraestrutura ao construir um trecho de estrada sem qualquer intervenção física humana — exclusivamente operado por máquinas autônomas e drones. Essa obra, que se tornou oficialmente pública em outubro de 2024, consiste em 157,79 km de rodovia entre Pequim e Hebei, parte do ambicioso corredor Beijing–Hong Kong–Macau (2.272 km), e confirma o avanço real e documentado da automação em larga escala.

Segundo os relatórios, o projeto envolveu 10 máquinas totalmente autônomas — pavimentadoras, rolos compactadores e equipamentos de distribuição de materiais — fornecidos pelo grupo Sany, operando em formação inédita 1 + 3 + 3 + 3, sob a coordenação de drones que realizavam topografia em tempo real com precisão milimétrica. A intervenção humana ficou restrita à supervisão remota da operação, assegurando o correto funcionamento dos equipamentos, sem a necessidade de trabalhadores operando diretamente as máquinas.
A largura da pista é de 19,25 m, permitindo até quatro faixas, e foi construída em uma única passada — o que elimina a necessidade de ajustes manuais posteriores. Essa técnica, apelidada de “borda 0”, tornou possível concluir o pavimento com precisão, uniformidade e economia de tempo e recursos.

O projeto foi apresentado durante uma conferência de infraestrutura com cerca de 700 participantes convidados a testemunhar a automação em ação, onde as máquinas funcionavam com algoritmos integrados e geolocalização para otimizar velocidade, racionalizar o uso de materiais e reduzir riscos operacionais. Segundo dados oficiais, a ausência de funcionários reduz significativamente os riscos de acidentes e permite que a execução prossiga 24 h por dia.
Esse feito não é isolado. Em novembro de 2024, a China concluiu o recapeamento de 158 km da mesma via, utilizando robôs e drones com sensores IoT e algoritmos inteligentes, resultando em pavimentação precisa e monitorada em tempo real. Esses projetos confirmam uma tendência clara: o país está integrando tecnologia de ponta — incluindo sensores LiDAR, GPS de alta precisão, processamento de dados em nuvem e drones — para reformar radicalmente a forma como grandes obras viárias são realizadas.
Empresas estatais como China Railway 11th Bureau (responsável pelo projeto), Hubei Communications Investment (pavimentação) e Liaoning Guotai Road and Bridge (compactação), juntamente com o Grupo Sany, compõem a coalizão que levou à execução dessa rodovia automatizada, marcada por investimento, integração tecnológica e eficácia operacional.

Os benefícios estimados são variados: eliminação de postos de trabalho em áreas de alto risco, garantia de redundância mínima de materiais, redução de erros humanos, operação contínua, e abreviação da distância entre projeto e resultado executado. Embora números oficiais sobre tempo e economia financeira não tenham sido divulgados, especialistas apontam que a precisão milimétrica e a velocidade da técnica são difíceis de igualar por métodos tradicionais.
Trata‑se de um dos maiores legados da automação na construção civil — e um sinal inequívoco de que a China está testando um modelo que pode transformar a indústria global. Ao demonstrar que é possível executar grandes projetos com mínima intervenção humana, o país abre caminho para que essa abordagem seja replicada internacionalmente, contanto que haja infraestrutura técnica e econômica adequadas.
