A The Walt Disney Company confirmou que deixará de divulgar regularmente seus números de assinantes dos serviços de streaming Disney+, Hulu e ESPN+. A decisão foi anunciada por Bob Iger, CEO da empresa, durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre fiscal de 2025, surpreendendo analistas e investidores. A medida representa uma mudança estratégica importante na forma como a Disney pretende apresentar seus resultados no setor digital, especialmente em um momento de intensa concorrência entre plataformas e reestruturação interna da companhia.
A mudança ocorre em meio à transformação do modelo de negócios do streaming, que vem deixando de focar apenas em volume de assinantes e passando a priorizar a rentabilidade. Nos últimos anos, as plataformas de streaming buscaram crescimento acelerado em número de usuários, muitas vezes operando com prejuízo para conquistar fatias maiores do mercado global. Agora, com a desaceleração no ritmo de crescimento e o aumento das exigências dos acionistas por lucros mais consistentes, a Disney opta por mudar seu foco de comunicação para a geração de receita e margem operacional.

Durante a teleconferência com investidores realizada nesta terça-feira (5), Iger explicou que os números de assinantes “já não são mais o único ou principal indicador de sucesso” das plataformas. A Disney passará a destacar métricas como receita média por usuário (ARPU), lucro operacional e impacto positivo no caixa. Segundo o CEO, a intenção é “alinhar as divulgações ao nosso foco em rentabilidade de longo prazo”.
A decisão também coincide com uma série de ajustes internos na empresa. Nos últimos meses, a Disney tem promovido cortes de custos, unificação de divisões e aumento de preços em seus serviços de streaming. O Disney+ teve reajuste recente nos Estados Unidos, com o plano sem anúncios subindo para 13,99 dólares por mês. Já o plano com publicidade, considerado estratégico para impulsionar a monetização, permanece a 7,99 dólares.
Outra mudança significativa é a consolidação do Disney+ e Hulu em uma plataforma unificada nos Estados Unidos. Essa integração, prevista para ser concluída até o final de 2025, visa oferecer uma experiência mais fluida aos usuários e ampliar o tempo de engajamento, algo que também deve impactar positivamente os resultados operacionais.
Embora a Disney tenha registrado queda no número de assinantes do Disney+ Hotstar, especialmente na Índia após a perda dos direitos de transmissão do críquete local, a empresa manteve crescimento moderado em mercados como América Latina e Europa. A companhia também espera que os investimentos em conteúdo original de marcas como Marvel, Star Wars e Pixar continuem atraindo públicos fiéis.
A decisão de não divulgar mais os dados de assinantes segue uma tendência que vem sendo observada em outras grandes empresas de mídia. A Netflix, embora ainda divulgue esses dados, já sinalizou que seu foco está migrando para engajamento, tempo de visualização e lucratividade. O mesmo ocorre com a Warner Bros. Discovery, que tem priorizado o desempenho financeiro da Max, sua plataforma unificada, em vez de reportar ganhos líquidos em número de usuários.
Especialistas apontam que a medida da Disney é arriscada do ponto de vista de transparência com o mercado, mas pode ser compreendida dentro de um cenário mais amplo de maturidade do setor de streaming. A fase de expansão desenfreada parece ter ficado para trás, dando lugar a um modelo mais disciplinado e orientado por resultados sustentáveis.
Com isso, investidores e analistas deverão se adaptar a uma nova lógica na avaliação do desempenho das plataformas de streaming, menos centrada em números absolutos de assinantes e mais voltada ao impacto financeiro dos produtos e serviços oferecidos. Resta saber como essa estratégia será percebida pelo mercado nos próximos trimestres.

