Drones no Everest: suprimentos e lixo removidos a 6 km de altitude

Nos primeiros meses de 2024 e 2025, o Nepal introduziu uma mudança histórica em sua gestão ambiental e de segurança no Monte Everest: o uso pioneiro de drones para transportar suprimentos e recolher lixo entre acampamentos de alta altitude. Trata-se de uma iniciativa oficial, conduzida por autoridades locais em conjunto com empresas privadas como a chinesa DJI e a nepalense Airlift Technology, com o objetivo de proteger a vida dos Sherpas e preservar a montanha mais alta do mundo.

Sherpa operando drone

O chamado DJI FlyCart 30, um drone de carga pesada, foi testado em abril de 2024 em voos entre o Acampamento Base (≈5.300 m) e o Campamento I (≈6.000 m). Durante o teste, o equipamento conseguiu transportar três cilindros de oxigênio e cerca de 1,5 kg de suprimentos, além de levar lixo no retorno — uma jornada de 12 minutos que, segundo a DJI, equivaleria a seis horas de caminhada humana na perigosa Cascata de Gelo de Khumbu. Essa operação estabeleceu um recorde mundial para entregas por drone a 6 000 m de altitude.

A partir de março de 2025, segundo reportagem do New York Times citada pelo portal Business Standard, a parceria entre Airbus Pasang Lhamu Rural Municipality e a startup Airlift Technology expandiu o uso dos drones. As aeronaves começaram a transportar cargas de até 15 kg em 15 minutos, em comparação com sete horas de Sherpas realizando a mesma tarefa a pé. Em junho, a Agência Anadolu confirmou que as aeronaves já carregaram com sucesso até 32 kg de lixo de Campamento I ao Base.

O uso de drones representa uma mudança de paradigma nas expedições ao Everest, por vários motivos. Primeiro, reduz drasticamente a exposição dos Sherpas aos riscos da Cascata de Gelo, onde avalanches e mudanças climáticas já causaram mortes – como o trágico avalancha de 2014 que vitimou 16 guias, e outra em 2023 que matou três deles. Segundo, melhora a eficiência logística: um único DJI FlyCart 30 pode transportar em uma hora o equivalente ao trabalho de 14 Sherpas ao longo de seis horas – cerca de 234 kg de carga ou lixo removido.

Drones levando suprimentos e voltando com lixo

Além disso, o uso de drones responde a uma emergência ambiental: estima-se que nas últimas décadas Everest acumule centenas de toneladas de lixo — garrafas, tendas, cilindros e até restos humanos — com cerca de 85 toneladas removidas apenas na temporada de 2024. A tecnologia oferece um meio eficaz de limpeza, especialmente em altitudes onde remediação manual é demorada, onerosa e perigosa.

Ainda que os drones representem progresso, algumas questões surgem. O custo por drone em importação, baterias e operação pode ultrapassar US$ 70 000 . No entanto, as autoridades planejam montar e treinar Sherpas como operadores locais, mantendo empregos nas comunidades e integrando a tecnologia à cultura existente. Além disso, há desafios técnicos: alta altitude reduz sustentação das hélices, ventos fortes e temperaturas extremas exigem confiabilidade ao longo do tempo .

A adoção oficial de drones nos Himalaias já começa com voos regulares desde 22 de maio de 2025, promovidos pelo governo nepalês e suas parcerias . Outras montanhas como Ama Dablam e Nuptse receberão a tecnologia ainda neste ano, com potencial para expandir a expedições sustentáveis, reduzir acidentes e fortalecer o turismo responsável.

Em resumo, drones como o DJI FlyCart 30 e os serviços da Airlift Technology abrem um novo capítulo nas operações no Monte Everest. Eles aumentam a segurança dos Sherpas, reduzem o impacto ambiental e provocam uma mudança logística significativa. Embora envolvam investimentos altos e desafios físicos e técnicos, essa iniciativa tem respaldo governamental e comunitário, somada ao apoio de corporações globais, e representa uma evol·ução concreta na preservação e exploração consciente do ponto mais alto do planeta.