O Brasil acaba de concretizar um passo histórico ao adotar oficialmente o sistema DTV+, anteriormente conhecido como TV 3.0, como o padrão de televisão terrestre de próxima geração. O decreto presidencial foi assinado no dia 27 de agosto de 2025, em cerimônia no Palácio do Planalto, estabelecendo que o país passará a utilizar componentes essenciais do padrão ATSC 3.0 como base do novo formato. Os elementos contemplados incluem as camadas física e de transporte, além de codificação de vídeo, áudio, legendas e sistemas de alerta de emergência — todas partes fundamentais da estrutura técnica do novo padrão televisivo.
Desde então, já há transmissões experimentais em andamento no Rio de Janeiro e em São Paulo. O plano prevê que até o final de 2025 seja iniciada uma estação em Brasília, e que o serviço comercial esteja disponível em tempo para a Copa do Mundo de 2026. Essa adoção é especialmente notável porque cerca de 80 % da população brasileira ainda depende da televisão terrestre para consumos audiovisuais, tornando a iniciativa crítica para garantir tanto abrangência como modernização.
No SET Expo 2025, principal evento latino-americano do setor de radiodifusão, diversas empresas mostraram soluções compatíveis com DTV+. Entre elas estavam ENENSYS Technologies, Dielectric, Triveni Digital, Cleverlogic/ETRI e HCLTech, que exibiram equipamentos como antenas MIMO específicas para o padrão brasileiro, soluções de orquestração de cadeia de transmissão e infraestrutura em nuvem para suportar o novo ecossistema. Por sua vez, a emissora Globo ampliou a parceria com a Grass Valley para reforçar sua capacidade de produção ao vivo e preparar sua estrutura de estúdios para o padrão DTV+, atualizando sua transmissão ao vivo com infraestrutura IP baseada no protocolo 2110, inclusive para produções como o Big Brother Brasil em 4 K.
Na prática, o que o DTV+ representa é um salto tecnológico. Com base no ATSC 3.0, suas funcionalidades incluem transmissão em Ultra HD, áudio imersivo como MPEG-H, entrega de dados (datacasting), recepção móvel e alertas de emergência geolocalizados com precisão. O padrão também permite uma diversidade maior na entrega de conteúdo, além de potencial para publicidade segmentada e interativa. Em um marco técnico recente, a empresa ENENSYS, em parceria com a AVATEQ, demonstrou interoperabilidade completa em toda a cadeia de transmissão com funcionalidades como MIMO em camadas (LDM), mostrando que o sistema está maduro para implementação em campo.
O movimento brasileiro sinaliza com clareza que o país optou por um padrão internacionalmente reconhecido, com flexibilidade para atender à sua realidade populacional e tecnológica. Conforme destacou a presidente do ATSC, Madeleine Noland, a adoção do ATSC 3.0 no Brasil evidencia a adaptabilidade do sistema em servir países com dinâmica diversa e forte dependência da TV terrestre. E o recém-nomeado vice-presidente de Desenvolvimento de Padrões do ATSC, Luiz Fausto, brasileiro, reforça que essa adoção coloca o país em posição estratégica para evoluções futuras do sistema no mercado global.
A consolidação do DTV+ no Brasil marca um divisor de águas ao proporcionar ao espectador transmissões de alta qualidade, recursos avançados de interatividade, e maior eficiência de uso do espectro. Nos bastidores, a modernização prepara toda a cadeia produtiva, dos equipamentos de transmissão às estruturas de emissoras, para um futuro onde mobilidade, personalização e resiliência tecnológica passam a ser requisitos essenciais. É um passo significativo que posiciona o país como pioneiro na América Latina e abre caminho para um ecossistema televisivo moderno, dinâmico e conectado às demandas contemporâneas.

