A economia chinesa apresentou sinais de recuperação ao registrar um crescimento de 3,5% em seu comércio exterior nos primeiros sete meses de 2025. O anúncio foi feito pela Administração Geral das Alfândegas da China nesta quarta-feira, 7 de agosto. O desempenho é visto como um indicativo de resiliência em meio a um cenário global ainda marcado por incertezas econômicas, conflitos geopolíticos e desafios logísticos no comércio internacional.
De janeiro a julho, o volume total das importações e exportações da China somou 23,55 trilhões de yuans, o equivalente a cerca de 3,26 trilhões de dólares, consolidando o país como um dos principais motores do comércio global. As exportações cresceram 4,2% no período, enquanto as importações avançaram 2,7%. O resultado positivo reforça o papel central da China nas cadeias de suprimento internacionais, mesmo diante da desaceleração econômica em mercados como Estados Unidos e Europa.

Os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) continuam sendo o maior parceiro comercial da China, com um aumento de 6,3% nas trocas bilaterais em relação ao mesmo período de 2024. Em seguida, aparecem a União Europeia e os Estados Unidos, com crescimento mais modesto, refletindo as tensões comerciais e políticas em curso. Um destaque foi a intensificação das trocas com economias emergentes, especialmente na América Latina e na África, onde a China tem ampliado investimentos em infraestrutura e energia.
O comércio com países da Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative) também teve alta relevante, com aumento de 7,4% nas exportações e 5,9% nas importações. Esses números demonstram que o plano estratégico liderado por Pequim para fortalecer sua influência econômica global está gerando resultados concretos, tanto no comércio quanto na cooperação multilateral.
O setor de alta tecnologia foi um dos motores do crescimento nas exportações chinesas. Produtos como painéis solares, baterias de lítio e veículos elétricos registraram aumento expressivo na demanda externa. Empresas como CATL, BYD e Huawei continuam expandindo sua presença em mercados internacionais, consolidando o domínio da China em setores estratégicos da transição energética e digital.
Apesar dos avanços, o governo chinês adotou uma postura cautelosa. Em comunicado oficial, o porta-voz da Administração Geral das Alfândegas afirmou que o comércio exterior ainda enfrenta “pressões descendentes”, mencionando o enfraquecimento da demanda global, os riscos geopolíticos e a instabilidade dos preços de matérias-primas como fatores de atenção.
O crescimento de 3,5% vem após um ano anterior de desafios, quando o comércio exterior chinês sofreu impactos diretos das restrições sanitárias domésticas, interrupções logísticas e aumento do protecionismo em diversas regiões. A recuperação agora observada é atribuída, em parte, à melhora da mobilidade interna, à estabilização da produção industrial e ao fortalecimento de políticas de estímulo ao comércio, como incentivos fiscais e acordos bilaterais.
Para o restante do ano, analistas esperam que a China mantenha a trajetória de crescimento moderado nas trocas comerciais, impulsionada por sua competitividade industrial, investimentos em tecnologia e redes de transporte cada vez mais integradas. No entanto, alertam que a volatilidade cambial, os juros elevados em economias desenvolvidas e as tensões com os Estados Unidos podem afetar o desempenho no segundo semestre.

