Mercado global de smartphones cresce 3% no 3º trimestre de 2025

A pesquisa mais recente da Omdia revelou que o mercado mundial de smartphones experimentou uma retomada ao registrar 320,1 milhões de unidades enviadas no terceiro trimestre de 2025, o que representa um crescimento de 3% ano a ano.
Esse dado ganha relevância porque, nos dois trimestres anteriores, o setor apresentava desempenho estabilizado ou até fraco, por conta de incertezas como tarifas, estoques elevados, retração de consumo em algumas regiões e efeito-substituto menor.

O relatório aponta que esse crescimento veio, em grande parte, de economias emergentes, com forte ritmo de recuperação na Ásia-Pacífico (5% de crescimento), Oriente Médio e África (crescimento de ~25% na África) — regiões onde os volumes de entrada de aparelhos estão voltando a se mover rapidamente.
Entre os destaques de fabricantes, a Samsung liderou com 60,6 milhões de unidades enviadas (+6% a.a.), enquanto a Apple atingiu 56,5 milhões (+4% a.a.). A Xiaomi manteve crescimento moderado (+1%) com 43,4 milhões de unidades.

Para o Brasil, esse indicador global traz alguns sinais interessantes. Primeiro: há fôlego renovado para que fabricantes lancem produtos com mais agressividade — o que significa mais modelos, maior diversificação de preços, promoções melhores e, potencialmente, substituição mais rápida de aparelhos antigos. Segundo: equipamentos premium e mid-end tendem a se beneficiar desse movimento, pois quando o mercado “voltou a crescer”, parte desse efeito se dá pela renovação dos modelos top de linha e por volumes em mercados emergentes. Terceiro: esse cenário reforça que a indústria não está estagnada — embora ainda enfrente desafios como custo de componentes, logística e câmbio — e que, para o consumidor brasileiro, pode haver janelas de oportunidade (como ofertas de fim de ano ou pacotes de troca) mais atraentes.

Vale também observar que esse crescimento não aconteceu por acaso. A Omdia destaca que, além da oferta de novos produtos, os fabricantes retomaram estratégias de canal, ajustar estoques, antecipar lançamentos para o fim de trimestre (que coincide com a temporada de compras), e se antecipar ao 4º trimestre — historicamente mais forte.

Mas nem tudo são flores: o relatório ressalta que o segmento médio (middle-end) segue mais fraco, e o crescimento está sendo puxado pelos extremos — tanto modelos ultra-econômicos (abaixo de US$ 100) quanto modelos premium (acima de US$ 700). Isso implica que “meio do caminho” está mais difícil, o que pode manter alternativas acessíveis menos rentáveis. Para o consumidor brasileiro, isso sugere que boas negociações podem ser encontradas nessa faixa de preço intermediária, mas talvez com menos “glamour” em termos de novidade.

Em síntese, esses 3% de crescimento é um sinal de que o ciclo de smartphones está respirando de novo — o que pode trazer mais lançamentos, mais oferta e claro, mais competição. Para quem está pensando em trocar de aparelho, ou simplesmente acompanhar tendências, vale manter esse cenário em vista.