Morre Ozzy Osbourne, o “Príncipe das Trevas”

O mundo da música amanheceu em luto nesta terça‑feira, 22 de julho de 2025, com o anúncio oficial da morte de Ozzy Osbourne, de 76 anos. A informação foi confirmada pela família por meio de comunicado à imprensa, informando que o icônico vocalista morreu “cercado por amor”, sem que até o momento tenha sido divulgada a causa exata do falecimento.

Conhecido mundialmente como “Príncipe das Trevas” e uma das principais vozes do heavy metal ao integrar o grupo Black Sabbath, Ozzy afastou qualquer dúvida sobre sua partida ao ressurgir recentemente em sua apresentação de despedida, o já histórico show “Back to the Beginning”, realizado em 5 de julho em Birmingham, Inglaterra. Na ocasião, ele subiu ao palco sentado em um trono, emocionado, dividindo o microfone com Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward — os membros originais da banda —, diante de um público de 40 000 pessoas e milhões de espectadores online.

Black Sabbath

O evento de despedida contou ainda com participações de grandes nomes do rock e heavy metal como Metallica, Guns N’ Roses, Aerosmith, Slayer, Tool, Pantera, entre outros, sob a direção musical de Tom Morello. As doações geradas pelo show foram destinadas a instituições como Cure Parkinson’s Trust, Birmingham Children’s Hospital e Acorn Children’s Hospice.

Ozzy nasceu em 3 de dezembro de 1948, em Aston, bairro operário de Birmingham. Em 1968, foi cofundador do Black Sabbath, banda que revolucionou a música com hits como “Paranoid”, “Iron Man” e “War Pigs”. Em 1979, foi demitido do grupo devido a seu problema com substâncias, mas duas décadas depois retornou para gravar o álbum 13 (2013) e em 2017 realizou a turnê final “The End”. Após sua saída, seguiu carreira solo de enorme sucesso, com álbuns como Blizzard of Ozz (1980) e Diary of a Madman (1981), além do hit solo “Crazy Train”.

Em 2003, Ozzy recebeu o diagnóstico de doença de Parkinson, o que afetou seriamente sua mobilidade e saúde geral. Em 2019 sofreu uma grave queda provocando fraturas na coluna, que agravaram seu quadro clínico. Apesar disso, manteve seu humor e a conexão com os fãs — exemplo disso foi a decisão de fazer o show de despedida, afirmando: “Você não faz algo pela metade”.

Ozzy Osbourne

A repercussão da notícia foi imediata e nostálgica. Bandas consagradas utilizaram sua conta oficial no X para prestar homenagem com a frase “Ozzy Forever”. Elton John se declarou um “grande amigo” e elogiou sua contribuição à música, enquanto membros do UB40 o definiram como “uma verdadeira lenda de Birmingham”. O Guardian destacou que ele foi “um dos frontmen mais icônicos de todos os tempos” e lembrou do famoso incidente de morder a cabeça de um morcego, que virou parte de seu legado controverso e lendário.

O episódio com o morcego

Ao longo de sua carreira, Ozzy recebeu inúmeros prêmios, entre eles cinco Grammys, foi duas vezes introduzido no Rock and Roll Hall of Fame — primeiro com Sabbath em 2006 e depois solo em 2024 — além de conquistar estrelas na Calçada da Fama de Hollywood e de Birmingham.

O último concerto em 5 de julho teve transmissão global via pay per view, arrecadou também milhões para caridade e foi filmado para virar documentário e longa-metragem, previsto para chegar aos cinemas em 2026 como Back To The Beginning: Ozzy’s Final Bow, com cenas exclusivas e participações especiais.

Com sua partida, Ozzy deixa esposa Sharon Osbourne, e seus filhos Kelly, Jack, Aimee e Louis, além de uma imensa legião de fãs e músicos inspirados em seu estilo inconfundível e espírito rebelde. Seu impacto no heavy metal e na cultura pop é incontestável: ele transformou o rock em espetáculo, consolidou o gênero e inspirou gerações de artistas.