Nos últimos meses, o mercado de robôs domésticos testemunhou uma mudança de paradigma com o lançamento do Roborock Saros Z70, que se destaca como o primeiro aspirador robô de produção em massa equipado com um braço robótico articulado. Esse avanço tecnológico foi apresentado oficialmente na CES 2025, realizada em janeiro em Las Vegas, e marca uma nova fase na automação residencial.

O Saros Z70, lançado globalmente nos primeiros meses de 2025, traz o braço dobrável “OmniGrip”, um sistema de cinco eixos que combina sensores ToF miniaturizados — providos pela Infineon — com câmeras RGB e IA multimodal para identificar, agarrar e organizar objetos leves, como meias, lenços, papéis e chinelos de até 300 g. A tampa do braço é retrátil, mantendo o perfil do robô com apenas 7,98 cm de altura, ideal para limpar sob móveis baixos.
Além da inovação física, o Z70 se destaca por sua IA. A análise multimodal integra dados de sensores 3D, câmeras e algoritmos de aprendizado de máquina, permitindo ao robô reconhecer até 108 objetos, com 50 configuráveis pelo usuário via app. Recursos de segurança como detecção de peso, anti-pinch, sensores espaciais e um botão de emergência garantem operações seguras ao redor de crianças e animais de estimação . A tecnologia ainda está em evolução: avaliações iniciais relatam eficácia variável ao identificar e posicionar objetos, sobretudo em carpetes ou sob móveis muito baixos, porém há promessas de atualização via software .
Em termos de limpeza, o Z70 oferece forte desempenho: 22.000 Pa de sucção, escovas antienrosco, sistema StarSight 2.0 (lidar sólido 3D e câmeras), e doc multifuncional que esvazia depósitos, lava e aquece panos a 80 °C, além de recarga rápida em cerca de 2,5 h . O braço adiciona funcionalidades de organização, prometendo reduzir a necessidade de intervenção humana para retirar objetos do chão antes da limpeza.

A Infineon, parceira de sensores do projeto, reforçou em comunicado de 28 fev. 2025 que seus sensores REAL3™ ToF são 100 vezes menores que tecnologias anteriores, viabilizando a presença do braço robótico sem comprometer o design compacto do robô . Esse é um diferencial técnico fundamental.
Compareceram à CES outros concorrentes que também exploram braços robóticos: a chinesa Dreame apresentou o X50 Ultra, com braço multiarticulado biónico, capacidade de levantar até 400 g e pernas retráteis que permitem transpor obstáculos de até 6 cm (ProLeap), coproduzido com suporte a troca automática de mop e tecnologia VersaLift ou Flex Arm. Ainda que o X50 Ultra e tecnologias similares ainda estejam em estágio protótipo ou pré-venda, o Roborock Z70 já está disponível comercialmente, consolidando-se como o primeiro do tipo no mercado.
Impacto e perspectivas
Esse lançamento representa um marco no setor de robôs domésticos: são poucos os concorrentes com braços robóticos, e até agora Roborock é o único com oferta real ao consumidor. Embora seu braço ainda funcione de forma experimental, a integração com sensores avançados e IA multimodal abre caminho para uma nova categoria de robôs “faz‑tudo”: capazes de limpar, organizar e até interagir com objetos de forma autônoma, obedecendo comandos do usuário. Além disso, há crescente atenção à segurança e privacidade — com certificações TUV e conformidade com Matter 1.4 para controle doméstico inteligente.
Desafios e próximos passos
Analistas concordam que, apesar do entusiasmo, o braço OmniGrip é ainda um protótipo funcional com limitações: baixa consistência para objetos pesados, dificuldade em carpetes e velocidade reduzida, o que pode torná-lo mais um gadget do que um acessório essencial neste estágio. A promessa da Roborock é lançar atualizações via OTA nos próximos meses, expandindo o catálogo de objetos que o robô pode manusear e aprimorando algoritmos de reconhecimento
