Queda de 12 % nas ações da Ferrari abala investidores

A Ferrari enfrentou um momento delicado no mercado nesta quinta-feira (31), com suas ações despencando mais de 12 %, a maior queda diária desde seu processo de abertura de capital em 2016. A empresa confirmou que mantém suas previsões financeiras para o ano, mas anunciou redução de preços nos Estados Unidos numa medida ligada à queda das tarifas de importação de 27.5 % para 15 % sobre veículos europeus.

O resultado do segundo trimestre de 2025 trouxe crescimento de 6 % na margem operacional ajustada impulsionado por forte poder de precificação e diversificação da linha de produtos, especialmente com modelos da família SF90 XX e 12Cilindri combinados com mais personalização e boa performance na América. Mesmo assim os rendimentos não atenderam totalmente às expectativas do mercado em termos de volume de entregas e preço médio por unidade.

Ferrari Purosangue – 4 portas e 4 lugares

De acordo com analistas da Citi e outras instituições financeiras, o principal ponto de atenção agora diz respeito à capacidade da Ferrari de manter suas lucrativas margens EBIT na segunda metade do ano diante de sinais de desaceleração nos volumes e no preço médio das vendas. A reversão parcial das tarifas americanas, somada à redução planejada de subsídios de preço introduzidos em abril, também foram identificadas como fatores que reduziram a confiança do mercado.

As ações da Ferrari em Milão e Nova York sofreram oscilações acentuadas e o investidor precisa agora observar se a empresa será capaz de entregar no segundo semestre margens resilientes apesar do cenário externo mais desafiador. A trajetória da empresa, que é conhecida por controlar deliberadamente sua produção para manter exclusividade e alto valor de marca, continua sob avaliação agora com foco renovado na sustentabilidade financeira do seu modelo de negócios.

Ferrari LaFerrari

Esse movimento de queda abrupta aparentemente foi precipitado também por receios sobre a saturação da demanda nos modelos de luxo da Ferrari. A percepção de que o valor da marca poderia estar em jogo ao ajustar preços no mercado americano levantou novos questionamentos sobre a elasticidade dos consumidores do segmento de alta renda.

Embora o placar do trimestre ainda apresente crescimento interessante, o episódio ressalta como o mercado financeiro reage fortemente à percepção de risco quanto à rentabilidade futura. A empresa segue comprometida com sua estratégia de exclusividade e sucesso no segmento ultra premium mas agora será cobrada por resultados bem alinhados ao ambiente macroeconômico em mudança.