Nos últimos dois anos, o mercado brasileiro assistiu a uma verdadeira revolução silenciosa: o aluguel de robôs avançados — modelo “Robot as a Service” (RaaS) — vem se consolidando como alternativa eficiente tanto para o setor industrial quanto para o de serviços como hotéis, restaurantes e condomínios. Diferentemente da compra tradicional, a locação permite às empresas acessar tecnologias de ponta sem o alto investimento inicial, transformando custos de capital (Capex) em despesas operacionais (Opex).

A Dalca Brasil, com sede em Bento Gonçalves (RS), destacou-se ao lançar o serviço de aluguel de células robóticas para produção industrial em novembro de 2023. A solução RaaS contempla robôs para soldagem, movimentação interna de peças, rebarbação e logística com veículos autônomos (AGVs), incluindo serviços de manutenção preventiva e corretiva. Segundo o CEO Bruno Dal Fré, essa modalidade libera principalmente as empresas de médio e pequeno porte de custos elevados com maquinário, elevando a produtividade sem comprometer o fluxo de caixa.
No setor de atendimento e hospedagem, em meados de 2024 surgiram no Brasil robôs “concierge” e “garçom” fabricados pela empresa chinesa Keenon, representados nacionalmente pela Quality Systems, do grupo Quality Tech, com sede em Uberlândia (MG). Os modelos W3 (“concierge”) e T5 (“garçom”) contam com autonomia de bateria de até 18 horas, telas interativas, sensores de navegação e capacidade para transportar até quatro bandejas de 10 kg simultaneamente; podem ser alugados por valores a partir de R$ 10 mil mensais — até os mais sofisticados, avaliados entre R$ 100 mil e R$ 500 mil para compra.
O uso dessas máquinas já está em prática no Brasil desde 2023, com operações em hotéis, shoppings e restaurantes. Em Goiás, unidades W3 circulam autonomamente levando refeições em hotéis e centros comerciais, enquanto o modelo T5 atua em praças de alimentação, como no Shopping Iguatemi Ribeirão Preto, realizando entregas para Outback e Mirai desde novembro de 2024 — com plano de expansão, incluindo o Iguatemi Alphaville.

Esses robôs têm se mostrado não apenas curiosidades tecnológicas, mas soluções práticas. Segundo o CEO da Quality Systems, Heleraldo Costa, eles permitem que os colaboradores se concentrem em tarefas mais complexas, ao mesmo tempo em que oferecem padronização, atratividade e economia de custos. Um exemplo citado é uma praça de alimentação no Canadá, onde a implementação de robôs garçom gerou economia estimada de US$ 26 mil por ano, substituindo apenas um funcionário humano.
Do ponto de vista industrial, a locação traz ainda maior flexibilidade. A demanda por automação costuma oscilar com sazonalidades e ciclos de mercado; com o RaaS, é possível escalar operações conforme a necessidade, sem a dificuldades de revender ou depreciar ativos. A Dalca chamou atenção para o fato de que, após alugar, muitas empresas optam por adquirir o equipamento — afinal já viram os ganhos em sua própria linha de produção.
Dados do setor reforçam essa tendência: o Brasil figurava em 2024 entre os 20 países com maior receita no mercado de robôs e espera-se que o setor movimente cerca de US$ 390 milhões até 2027, contra US$ 225 milhões em 2016. No agronegócio, empresas como a Solinftec inovam com robôs autônomos para monitoramento de lavouras, mostrando que o espectro de aplicação do RaaS já se estende além da indústria e serviços de atendimento.
O movimento é claro: o aluguel de robôs de alta tecnologia se tornou febre no Brasil, unindo inovação, economia e adaptabilidade. Seja nos corredores de fábricas, nos salões de hotéis ou nos corredores dos shoppings, essas máquinas mostram que o futuro — ao alcance de aluguel — já é presente.
