O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, publicou em sua rede social Truth Social nessa quarta-feira (16), que conversou com executivos da The Coca‑Cola Company e que estes concordaram em substituir o xarope de milho com alto teor de frutose (high-fructose corn syrup, HFCS) por açúcar de cana “REAL” nos refrigerantes vendidos nos EUA. Trump afirmou: “Isso será uma ótima decisão — vocês verão. É simplesmente melhor!” e agradeceu “a todos os responsáveis na Coca‑Cola”.
A Coca‑Cola respondeu de forma cautelosa — em comunicado oficial, afirmou que “agradece o entusiasmo do presidente pela nossa marca icônica” e que “mais detalhes sobre novas ofertas inovadoras em nossa linha de produtos serão compartilhados em breve”, sem confirmar explicitamente qualquer mudança na fórmula tradicional vendida nos Estados Unidos.
Até o momento, não houve declaração oficial da empresa estabelecendo cronogramas ou extensões da adoção de açúcar de cana em sua produção americana. Vale destacar que nos EUA, a Coca‑Cola tradicional já é adoçada com HFCS desde os anos 1980, enquanto versões importadas, como a “Mexican Coke”, e variantes lançadas em países como México, Reino Unido e Austrália utilizam açúcar de cana .
A reação do mercado foi imediata: as ações dos principais fornecedores de xarope de milho rico em frutose, como Archer Daniels Midland (ADM) e Ingredion, caíram cerca de 2% a 6%, enquanto as ações da Coca‑Cola registraram leve alta (~1%) com a perspectiva da mudança.
No plano político, o anúncio está inserido na iniciativa da administração de Trump chamada “Make America Healthy Again” (MAHA), liderada pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., que tem defendido a redução de ingredientes como HFCS, óleos processados e corantes artificiais nos alimentos americanos. Kennedy chegou a chamar o xarope de milho de “fórmula para obesidade e diabetes” e planeja lançar novas diretrizes alimentares com foco na redução de açúcar adicionado ao longo do verão de 2025 .
Por outro lado, representantes da indústria do milho reagiram com críticas severas: John Bode, CEO da Corn Refiners Association, alertou que a substituição poderia causar perda de milhares de empregos nos setores de produção de alimentos e milho, prejudicar a renda dos agricultores americanos e elevar importações de açúcar estrangeiro, sem fornecer benefícios nutricionais reais.
Além do impacto econômico, especialistas do setor de bebidas e agronegócio observaram que uma conversão completa da cadeia de suprimentos da Coca‑Cola para açúcar de cana seria operacionalmente complexa e onerosa. Alguns levantaram que a empresa pode simplesmente buscar lançar versões com açúcar de cana, sem alterar a fórmula padrão distribuída em grande escala nos EUA .
É importante registrar que Donald Trump já é consumidor declarado de Diet Coke — bebida adoçada com aspartame e sem açúcar ou HFCS — e chegou a instalar um botão para ter acesso ao refrigerante no Salão Oval durante seu primeiro mandato executivamente. Essa ironia reforça a percepção de que seu posicionamento sobre a Coca‑Cola original tem forte sentido simbólico e político.
Em síntese, os fatos verificados indicam que:
- Trump alegou que a Coca‑Cola concordou em substituir corn syrup por açúcar de cana nos EUA.
- A empresa respondeu com evasividade, sem confirmação da mudança.
- Houve reações imediatas no mercado financeiro, impactando fornecedores de HFCS.
- A iniciativa se enquadra na agenda MAHA, voltada à saúde pública.
- O setor agrícola dos EUA alertou para possíveis consequências econômicas.
- A decisão, se tomar forma, exigirá planejamento logístico e provavelmente será gradual ou limitada.
Não existem ainda documentos oficiais da Coca‑Cola confirmando a mudança no produto, nem informações sobre prazos ou escopo da possível reformulação. O anúncio permanece no campo político e simbólico, com implicações ainda nebulosas para consumidores, saúde pública e indústria.

